Da frase tocante no Sporting ao impacto do avô. Rui Borges abre o coração
- 01/01/2026
Com a época sensivelmente a meio, Rui Borges concedeu uma entrevista à Sporting TV, divulgada esta quinta-feira, no arranque do ano de 2026, onde foi desafiado a falar de vários temas marcantes desde a chegada a Alvalade, que aconteceu há sensivelmente um ano.
"Foi um ano com muito trabalho, mas acima de tudo com muita felicidade. Primeiro, porque faço aquilo que eu mais amo, num grande clube, e logo aí já sou feliz. Depois, por tudo que foi a época, pelo ano em si, só posso dizer felicidade”, começou por dizer, antes de aprofundar o sucesso com a conquista da dobradinha.
“Nós acreditámos muito e, quando digo nós, falo da equipa técnica. Acreditámos muito desde o primeiro dia que íamos concretizar o sonho de chegar a um grande clube e de lutar por títulos. Talvez não acreditássemos que acontecesse tão rápido. É fruto do trabalho e da competência. Deixa-nos felizes para continuarmos a lutar por mais sonhos e objetivos. Foi pouco tempo mas parece muito porque a intensidade no dia a dia é enorme”, vincou de seguida.
O jogo de estreia de Rui Borges coincidiu com o último duelo do Sporting em 2024, precisamente diante do rival Benfica, ditando uma estreia vitoriosa (1-0) do treinador ex-Vitória SC, em Alvalade. Rui Borges recordou a conversa com Frederico Varandas antes do dérbi e ainda explicou o marcante lema "Quando faltar a inspiração, que não falta a atitude".
“Tem muito a ver com a minha mentalidade e o facto de ser muito positivo. Estive com o presidente antes de assinar. Eu dizia que o dérbi era o melhor jogo para entrar. A minha única vontade era estar aqui e ajudar a equipa, o grupo e os jogadores. Foi muito nisso que nós nos focámos, e em transmitir-lhes que eles já eram os melhores porque eram os campeões nacionais. Era um jogo com um peso diferente mas eu só queria desfrutar", sublinhou.
“Será sempre, não só do balneário, como da nossa equipa técnica. Sou de região de muito de trabalho. A atitude tem de lá estar sempre, tem muito a ver com as minhas origens, a minha personalidade e o meu caráter. A atitude de forma geral está lá. A equipa percebe isso e tem noção de que vai ser cada vez mais difícil, porque já ganhou muito e os outros estão mais fortes e mais capazes. Temos de ser cada vez melhores, na nossa qualidade e atitude competitiva", frisou o treinador de 42 anos.
Como se combatem lesões? Rui Borges explica
Atualmente a cinco pontos do líder FC Porto, Rui Borges garantiu que tem à disposição "uma equipa à imagem" da equipa técnica, na luta pelo tricampeonato, explicando a forma como tem lidado com as constantes lesões no plantel, quer na segunda metade da época passada, quer na primeira metade da presente temporada.
“É uma equipa que está à nossa imagem. Uma equipa que também nos ajudou enquanto treinadores a melhorar, a procurar, a entender como é que poderíamos ser melhores, como treinar uma equipa grande, porque é diferente de treinar uma equipa média. Os princípios da nossa ideia estão nesta equipa, claramente. Fico feliz por ver a equipa cada vez mais dentro daquilo que nós queremos e desejamos, mas há sempre a parte de comunicar, de perceber, de entender, porque nós não somos ninguém sem os jogadores. Temos uma mobilidade e uma variabilidade muito grandes, o que torna a equipa melhor, mais capaz e isso vê-se nos jogos que temos feito”, esclareceu.
"Lesões? Lido de forma positiva. É uma oportunidade de mudar algo, de dar oportunidades a outros, de acrescentar algo ao nosso grupo, de o tornar cada vez mais forte. Enquanto líder compete-me a mim e à minha equipa técnica fazer-lhes acreditar que são importantes e que têm muita qualidade. Olho sempre de uma forma de oportunidade para quem vai jogar. E a nós, treinadores, de acrescentar algo diferente até para o futuro. Sem fugir à nossa ideia, mas com jogadores diferentes, acrescentar coisas diferentes e tornar-nos mais capazes para ultrapassar as dificuldades dos adversários que vamos encontrar", completou sobre o tema.
Desafiado a explicar o pensamento de que havia "algo melhor reservado" para o Sporting, em janeiro de 2025, após ter perdido a final da Taça da Liga para o Benfica, nas grandes penalidades (6-7 após 1-1), Rui Borges relembrou o impacto do... falecido avô.
“Lembrei-me porque foi algo dito com muita sinceridade e com muito sentimento. Sou muito positivo. Tenho uma pessoa muito especial, que é o meu o avô, que não está entre nós, mas com quem eu falo muito. Falo todos os dias. Naquele momento parecia que ele estava ali a dizer algo. Disse-o com um sorriso até, porque acreditava muito que íamos ser campeões nacionais e era esse o nosso objetivo. E não havia nada nem ninguém que pudesse colocar em dúvida esse sentimento. Foi algo sentido e que foi lembrado quando vencemos”, relembrou.
"Festa no Marquês de Pombal? Indescritível. Toda a gente devia passar pelo menos uma vez na vida por essa festa, que é indescritível. É algo único. O mundo verde ali à nossa frente, o som, as músicas todas do Sporting, é indescritível, é único mesmo", rematou Rui Borges.















