Crédito à habitação: Vale a pena pedir moratória por causa da tempestade?
- 04/02/2026
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou que, em diálogo com o sistema financeiro, foi acordada uma "moratória de 90 dias para os empréstimos às empresas e ao crédito à habitação para a aquisição da habitação própria e permanente" nas regiões afetadas pela tempestade Kristin. Será que vale a pena pedir esta moratória de três meses?
"A moratória só deve ser utilizada em contexto de dificuldades financeiras, para adiar este encargo e aumentar a liquidez disponível. Não é um perdão da dívida: o valor suspenso terá de ser pago mais tarde, o que pode aumentar o prazo total do empréstimo ou elevar o montante das prestações futuras, assim como o custo total com o crédito", explica a DECO PROteste.
Porém, "falta saber se as condições desta moratória seguem o modelo adotado na altura da pandemia da covid-19. Se assim for, o pedido de suspensão das prestações não fica totalmente gratuito".
"Os bancos contabilizam os juros decorridos durante o período de suspensão do crédito e adicionam-nos ao capital em dívida", lembra a organização de defesa do consumidor.
Ou seja, "na prática, apesar de ficarem até três meses sem receber os reembolsos dos créditos concedidos, no final do processo, os bancos irão obter um ganho extra, superior ao que existiria caso a carência de capital fosse a única parcela em causa". Já o consumidor "será confrontado com custos adicionais".
A DECO PROteste lembra que as "famílias podem pedir a suspensão do pagamento de empréstimos de habitação própria e permanente durante 90 dias".
Ainda assim, "falta conhecer, no decreto-lei específico a publicar, se a suspensão inclui capital e juros ou apenas uma destas componentes. Após o período de 90 dias, está prevista a possibilidade de extensão para 12 meses, mas em moldes ainda por definir e dependendo da avaliação da recuperação da atividade económica entretanto ocorrida".
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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