Costa vinca que UE "oferece parcerias comerciais em vez de tarifas"
- 21/01/2026
"No passado fim de semana assinámos o histórico Tratado do Mercosul, que irá criar a maior zona de comércio livre do mundo [...] e envia uma mensagem poderosa ao mundo: em vez de tarifas, a UE oferece parcerias e, em vez de esferas de influência, estamos a criar esferas de prosperidade partilhada", disse António Costa num debate no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
A poucos dias de se deslocar à Índia para tentar 'fechar' o acordo comercial entre os dois blocos -- juntamente com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen --, o antigo primeiro-ministro português apontou que "os acordos comerciais são livros de regras globais, [enquanto] as tarifas são impostos sobre cidadãos e empresas".
"A União Europeia construiu a mais extensa rede de acordos comerciais, abrangendo 78 países, e a Comissão está a alcançar progressos notáveis nas negociações com países como a Índia, a Austrália, a Tailândia, as Filipinas e os Emirados Árabes Unidos, entre outros", destacou António Costa.
Presente na ocasião, Ursula von der Leyen lembrou o "acordo histórico com o Mercosul", esperando no início da próxima semana "outro acordo inovador" com a Índia.
Ainda sobre o acordo com o Mercado Comum do Sul (Mercosul), António Costa falou, na sua intervenção, no "resultado de mais de duas décadas de negociações" com "salvaguardas significativas", dizendo "aguardar com expectativa o trabalho conjunto nos próximos passos, para os quais o papel do Parlamento é essencial".
Nestas declarações, António Costa defendeu ainda "um novo ímpeto ao crescimento económico, à inovação e à resiliência da Europa", como aconteceu com a defesa comunitária em 2025, razão pela qual convocou para 12 de fevereiro uma sessão estratégica de reflexão dos líderes europeus sobre a competitividade da UE.
"Temos de apresentar resultados para os nossos cidadãos em matéria de empregos de qualidade, salários e acesso a habitação a preços comportáveis porque a coesão social e a prosperidade são duas faces da mesma moeda e, isoladamente, nenhuma delas seria sustentável", elencou.
Hoje mesmo, o Parlamento Europeu vota o pedido para submeter à análise do Tribunal de Justiça da União Europeia aspetos do acordo UE-Mercosul antes o votar, o que poderá parar o processo de ratificação.
Quanto à Índia, Nova Deli e Bruxelas já haviam tentado alcançar um acordo comercial, mas as negociações tem sido bloqueadas por desentendimentos.
Durante a presidência portuguesa do Conselho da UE, no primeiro semestre de 2021, a Índia e a UE concordaram em negociar um acordo comercial, outro de proteção de investimentos e um de indicações geográficas.
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