Copenhaga fala em “paradoxo” nas ameaças dos EUA à Europa
- 18/01/2026
"É preocupante que o presidente [norte-americano, Donald Trump] esteja a fazer estas declarações, uma vez que vários aliados europeus assumiram a tarefa que ele alegou ter sido negligenciada. É isso que torna a situação problemática e paradoxal", disse Lars Løkke Rasmussen, numa conferência de imprensa em Oslo com o seu homólogo norueguês, Espen Barth Eide.
Rasmussen expressou a sua gratidão pelo apoio "inequívoco" de toda a Europa à Dinamarca face às ameaças de Trump contra o território autónomo dinamarquês da Gronelândia, que reivindica alegando razões de segurança nacional.
Lembrou ainda a todos que a Dinamarca faz parte da União Europeia (UE) e que é a UE que deve responder de forma coordenada.
A Dinamarca está empenhada no diálogo iniciado há alguns dias em Washington, onde o Presidente dinamarquês e o seu homólogo da Gronelândia se reuniram com o vice-Presidente dos Estados Unidos, JD Vance, mas admite que é necessário explorar "outras vias".
Rasmussen descreveu a situação como "grave" e justificou: "A ordem mundial como a conhecemos e o futuro da NATO" estão em risco".
E insistiu na importância do compromisso contínuo com a Ucrânia, tema também discutido na reunião com Eide.
"É importante mantermos o foco em quem são os nossos inimigos", disse Rasmussen, mencionando o Presidente russo, Vladimir Putin.
Eide classificou as ameaças de Trump, que também afetam a Noruega, de "inaceitáveis" entre os aliados e reiterou o seu apoio à Dinamarca.
"A Noruega está ao lado do Reino da Dinamarca em todos os momentos e apoia a soberania da Dinamarca e da Gronelândia", declarou.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, falou hoje por telefone com o seu homólogo alemão, Friedrich Merz, com o Presidente francês, Emmanuel Macron, e com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, de acordo com a sua página de Facebook.
"Este é um ataque à Gronelândia, ao direito internacional e à cooperação em que assenta toda a aliança ocidental", escreveu o vice-Presidente da Gronelândia, Múte B. Egede, na mesma rede social.
Os oito países europeus e da NATO que enviaram tropas para a Gronelândia manifestaram hoje a sua "total solidariedade" para com a Dinamarca em relação aos planos de anexação da Gronelândia e afirmaram que a operação militar "não representa uma ameaça para ninguém", depois de Trump ter ameaçado impor tarifas.
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