Coordenação entre parceiros essencial para acelerar Corredor do Lobito
- 05/02/2026
"Aquilo que estava a faltar era um mecanismo que conseguisse garantir a coordenação efetiva entre todos os parceiros", afirmou Ricardo Abreu, sublinhando que existe "um grande interesse à volta do Corredor do Lobito", mas que tem chegado "de forma descoordenada, através de um conjunto de projetos e iniciativas que vão acontecendo ao longo do corredor".
O governante falava à margem da primeira Reunião de Alto Nível sobre o Mecanismo de Coordenação do Corredor do Lobito, conhecido como "Engine Room", que reúne governos dos três países envolvidos e parceiros internacionais de desenvolvimento, financeiros e institucionais.
Segundo Ricardo Abreu, Angola, Zâmbia e República Democrática do Congo estavam já integradas na Agência de Facilitação de Transporte e Trânsito no Corredor do Lobito (AFTTCL), órgão tripartido destinado a assegurar a harmonização regulamentar e desburocratização, mas era necessário um mecanismo adicional para envolver os financiadores e parceiros internacionais, capaz de alinhar prioridades, calendários de investimento e iniciativas em curso.
O responsável rejeitou que o novo mecanismo possa gerar sobreposição de competências, sublinhando que o "Engine Room" vem "complementar" a agência tripartida e que não há risco de descoordenação: "Pelo contrário, o que não tínhamos conseguido era reunir, num único espaço, todo o conjunto de parceiros internacionais que querem promover projetos de desenvolvimento ao longo do corredor",
Ricardo Abreu realçou que o Corredor do Lobito já se encontra numa fase de execução concreta, com investimentos em curso no lado angolano, reconhecendo os desafios da reabilitação da linha na RDCongo e a ligação ferroviária à Zâmbia, etapas consideradas determinantes para materializar a integração regional.
"Temos sim, o desafio da reabilitação da parte da linha da República Democrática do Congo e de conseguirmos a conectividade para a Zâmbia, materializando o efetivo Corredor do Lobito", afirmou.
Ricardo Abreu assinalou, por outro lado, que o projeto não se resume à infraestrutura ferroviária. "A ferrovia é apenas a espinha dorsal do corredor", disse, acrescentando que o objetivo é promover desenvolvimento económico ao longo desse eixo, com impacto em setores como o agronegócio, a transformação industrial, o turismo e os serviços.
O ministro salientou ainda que o interesse internacional pelo corredor "já não é apenas uma visão", mas uma realidade em curso, defendendo que o desafio atual é garantir mecanismos de coordenação eficazes.
"O que precisamos é de ter os mecanismos devidamente estabelecidos para que haja coordenação, para sabermos quais são as prioridades e como podemos explorar esses investimentos", concluiu.
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