Congresso interroga chefias da imigração após mortes em Minneapolis
- 10/02/2026
A audição decorreu num contexto de confronto entre republicanos e democratas sobre o orçamento do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), cujo financiamento expira no sábado, colocando vários serviços federais em risco de crise orçamental.
Perante o Comité de Segurança Interna da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso norte-americano), os dirigentes defenderam a política migratória do Governo, sublinhando resultados operacionais desde o regresso do Presidente norte-americano, Donald Trump, ao poder, em janeiro de 2025.
O responsável da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês), Rodney Scott, afirmou que a imigração ilegal se encontra no nível mais baixo de sempre, acusando a anterior administração (liderada pelo democrata Joe Biden) de ter "destruído intencionalmente" a fronteira.
Já o chefe interino do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês), Todd Lyons, indicou que a agência realizou 475 mil deportações em 2025, assegurando que está a cumprir a missão de deportações em massa definida pelo Presidente.
Também precisou que, entre 20 de janeiro de 2025 e 20 de janeiro do ano corrente, a atual administração republicana deteve um total de 379 mil imigrantes.
Lyons defendeu que o ICE atua no "ambiente operacional mais letal da sua história" e garantiu que a agência federal não será intimidada.
"Apesar dos perigos, os nossos agentes continuam a cumprir a sua missão com uma determinação inabalável", declarou Lyons, acrescentando que o ICE mantém o compromisso de responsabilizar quem entra ilegalmente no país.
Lyons explicou que, entre os detidos, "há mais de 7 mil suspeitos de pertencerem a gangues e mais de 1.400 terroristas conhecidos ou suspeitos".
O responsável da agência de imigração afirmou que o ICE "continua comprometido com o princípio fundamental de que aqueles que entram ilegalmente no país devem ser responsabilizados".
Depois das declarações iniciais, os responsáveis enfrentaram críticas dos democratas, centradas sobretudo na intensificação das operações federais em Minneapolis, no estado do Minnesota.
Nessa cidade, milhares de agentes federais, muitos armados e com o rosto coberto, têm conduzido operações para deter imigrantes em situação irregular, gerando protestos e forte tensão com a população local.
Em janeiro, agentes da CBP e do ICE mataram a tiro Renee Good e Alex Pretti, ambos com 37 anos, em incidentes separados por menos de três semanas, casos que provocaram comoção a nível nacional.
Questionado pelo congressista democrata Eric Swalwell sobre se Renee Good era "uma terrorista", como sugeriram membros da administração Trump após a morte, Todd Lyons recusou comentar, alegando tratar-se de uma investigação em curso.
Desde então, os democratas exigiram reformas profundas no funcionamento do ICE, incluindo o fim das patrulhas móveis, a proibição do uso de máscaras pelos agentes e a obrigatoriedade de mandado judicial para detenções.
Os líderes democratas ameaçaram bloquear o financiamento do DHS para este ano, caso não haja alterações, enquanto a Casa Branca (presidência norte-americana) sinalizou abertura ao diálogo, considerada insuficiente pela oposição.
Num comunicado conjunto, os líderes democratas no Congresso, Hakeem Jeffries e Chuck Schumer, criticaram a contraproposta republicana por ser "incompleta e insuficiente" face ao que classificaram como "comportamento fora da lei" do ICE.
Se não houver acordo, o DHS pode entrar em impasse orçamental a partir de sábado, embora as operações da CBP e do ICE possam continuar com fundos anteriormente aprovados, enquanto outras agências, como a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA, na sigla em inglês), podem ser afetadas.
[Notícia atualizada às 19h24]
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