Condenado ex-senador francês que drogou deputada para agredir sexualmente
- 28/01/2026
O ex-senador francês, Joël Guerriau foi condenado esta quarta-feira a quatro anos por drogar a bebida de uma deputada com o objetivo de a agredir sexualmente. Guerriau cumprirá 18 meses de pena efetiva e o restante em regime de pena suspensa.
A decisão foi proferida hoje, contudo, o caso remonta a 2023, quando Guerriau pertencia ainda ao partido Horizons, de centro-direita.
A 14 de novembro o então senador convidou Sandrine Josso, deputada do partido de centro MoDem (Movimento Democrático) para um jantar na sua casa, para comemorar a reeleição.
Josso foi a única convidada de Guerriau nessa noite. Em tribunal, a deputada disse que visitou a casa do ex-senador "de coração leve para celebrar a sua reeleição". Mas "à medida que a noite avançou, descobri um agressor".
Guerriau ofereceu um copo de champanhe a Josso a certa altura durante a noite, tendo deitado o líquido na cozinha, longe do olhar da parlamentar. Quando o bebeu, Josso notou que tinha um sabor doce quase que pegajoso.
"Eu pensei que fosse só um mau champanhe. Depois ele insistiu que nós fizéssemos um novo brinde. Achei isso estranho", afirmou, citada pelo The Guardian.
Após ingerir o líquido, Josso contou que começou a sentir tonturas, palpitações e náuseas tão fortes que quase não se conseguia manter de pé.
Ao mesmo tempo, o arguido terá adotado um comportamento estranho, que levou Josso a sair da casa do ex-senador apressadamente, apesar das dificuldades.
Em pânico, a deputada acabou por conseguir chamar um táxi, que a levou para o hospital. Lá fez exames ao sangue, que revelaram que tinha uma alta concentração de ecstasy (MDMA). Em tribunal, o presidente precisou que a taxa da droga no sangue de Josso era o dobro do normalmente usado para fins recreativos.
No dia a seguir ao incidente, e após a deputada apresentar uma queixa nas autoridades, Guerriau foi detido. Durante o interrogatório negou em todos os instantes ter drogado Josso com o intuito de a agredir, falando num "ato involuntário" da sua parte.
Guerriau alega que não tinha intenção de drogar Josso
Em tribunal, o ex-senador manteve a mesma versão dos eventos, afirmando que tinha feito um erro "muito sério" que levou a que desse a Josso uma bebida drogada.
"Eu sinto muito pela Sandrine. Isto nunca foi algo que eu quisesse que acontecesse. Espero que um dia ela me perdoe", disse durante o julgamento.
O ex-senador alega que deitou a droga no copo de champanhe no dia anterior à celebração, para o ajudar a acalmar-se durante uma ataque de pânico. Contudo, acabou por decidir não ingerir o conteúdo. Em vez de despejar o líquido, manteve o copo cheio num dos armários da cozinha: "Em suma, sou um idiota".
O advogado de Josso argumentou que devido ao sucedido, a deputada esteve de baixa durante seis meses, durante os quais foi submetido a "tratamento físico, psicológico e psiquiátrico, após sofrer de pesadelos, flashbacks e episódios de dissociação".
O incidente, aliás, terá deixado Josso num estado de stress que a levou a ranger os dentes de tal forma que foi obrigada a extrair quatro.
Para além de ter sido encontrado ecstasy na casa de Guerriau, a investigação descobriu ainda que o ex-senador tinha feito pesquisas online sobre informação relacionada com o uso de droga em casos de violação, cerca de um mês antes do ataque.
Guerriau foi condenado a quatro anos, contudo, apenas 18 meses da sentença terão de ser completados num estabelecimento prisional. O ex-senador também já apresentou um recurso à decisão judicial, o que significa que o início da sua pena será adiado até que este novo processo seja concluído.














