Companhia de Teatro de Almada com mais de 50 produções na nova temporada
- 10/01/2026
A informação foi avançada à Lusa pelo diretor artístico da CTA, Rodrigo Francisco, destacando da nova temporada três novas criações da companhia: "Um assobio no escuro", do autor irlandês Tom Murphy, "Medida por medida", de William Shakespeare, e "Uma nova volta ao mundo", para a infância e famílias, a partir de "A volta ao mundo em 80 dias", de Júlio Verne, a estrearem-se, respetivamente, em 10 de abril, 30 de outubro e 28 de novembro.
Rodrigo Francisco encenará "Um assobio no escuro", a obra de estreia de Tom Murphy, uma tragédia escrita em 1961 quando o autor tinha 25 anos, e na qual utilizou a experiência pessoal como filho de uma família numerosa, com quase todos os irmãos emigrados em Inglaterra.
Rejeitada, na altura, pelo Abbey Theatre, em Dublin, sob pretexto de ter "um argumento demasiado violento", Murphy levou-a para Londres "onde obteve um enorme sucesso", lê-se na programação da CTA.
A peça, cujo tema "é importante falar neste momento", por retratar a emigração irlandesa nos anos 1970, "permite olhar para dentro de uma família de imigrantes, com todas as tensões e os problemas que havia no seio dessa família, para também nos lembrarmos que nós portugueses já fomos um povo de emigrantes no século passado", enfatizou Rodrigo Francisco.
Ao olhar para estes emigrantes, defendeu o diretor da CTA, "podemos perceber quais são os problemas com que eles se debatem, nomeadamente as pessoas que hoje em dia procuram um teto em Portugal".
"Medida por medida", texto de Shakespeare "que não é feito há bastante tempo em Portugal", terá encenação de Ignacio García, diretor do Festival de Teatro Clássico de Almagro, na que é a quarta colaboração do argumentista, realizador e encenador espanhol com a companhia.
No Teatro Municipal Joaquim Benite (TMJB), García já dirigiu "História do cerco de Lisboa" (2017), de José Saramago, "Reinar depois de morrer" (2019), de Luis de Guevara, e "Nem come nem deixa comer" (2021), de Lope de Veja.
"Uma nova volta ao mundo", para o público mais novo, terá encenação de Teresa Gafeira.
Rodrigo Francisco destacou ainda a reposição, já a partir do próximo dia 16, na sala Experimental, de "Um adeus mais-que-perfeito", a partir do romance "seminal" do Prémio Nobel da Literatura Peter Handke, com adaptação de Pedro Proença e encenação de Teresa Gafeira.
Estreada na edição 2025 do Festival de Almada, a peça do dramaturgo austríaco, que passou a infância em Berlim Leste, "escalpeliza" os motivos que levaram a mãe a suicidar-se aos 51 anos, numa narativa sobre das condições de vida das mulheres nascidas numa região pobre e agrícola dos anos 1920, na Áustria.
O espetáculo, segundo Rodrigo Francisco, tem "fortes ecos com as mulheres das gerações das nossas mães, que viveram sob a ditadura em Portugal, sob um regime de patriarcado, e que foram impedidas de estudar, condenadas a ser mulheres no sentido de servir a família e estarem subjugadas primeiro aos seus pais e depois aos seus maridos".
Em termos de acolhimentos, o diretor da CTA frisou a "continuação de abertura de portas a criadores" que ali vão fazer residências artísticas. Como exemplos citou o ator Cláudio da Silva, que em setembro apresentará "Ájax", de Sófocles, e cinco residências artísticas de outros tantos jovens músicos galardoados com o Prémio Jovens Músicos que se apresentarão ao longo do ano, integrados num ciclo de música de Câmara.
Entre os acolhimentos portugueses pelo TMJB estão, em fevereiro, "Quando nós, os mortos, despertamos", de Henrik Ibsen, pelo Teatro da Terra, e "Oleanna", de David Mamet, com encenação de Sara Vicente, numa produção conjunta da Companhia de Teatro do Algarve, Cineteatro António Lamoso e TMJB.
"Amor de perdição", de Camilo Castelo Branco, com encenação de Maria João Vicente e coprodução do Teatro Nacional de S. João (TNSJ), e "John Gabriel Borkman", também de Ibsen, com encenação de Joaquim Horta e produção conjunta do Teatro S. Luiz e do TMJB, contam-se igualmente entre os acolhimentos.
"Todos os pássaros", com texto de Wadji Mouawad, "Os jugoslavos", de Juan Mayorga, pelos Artistas Unidos, e "Uma performance entre outros", com texto de Jacinto Lucas Pires, que assina a criação da peça com Flávia Gusmão, são outras das peças acolhidas no TMJB, numa programação que integra ainda espetáculos do Teatro Nacional de S. Carlos, o Festival de Música dos Capuchos e o festival organizado pela Casa da Dança.
Para a edição deste ano do Festival de Almada, em julho, contam-se já as peças "Teatro Delusio", a apresentar pela companhia alemã Familie Flöz, nos dias 09 e 10, por ter sido eleita "espetáculo de honra" pelo público, na edição de 2025, e "O beijo do asfalto", de Nelson Rodrigues, nos dias 13 e 14, uma produção do Teatro Nacional S. João, do Porto, com encenação de Miguel Loureiro.
Fogo Fogo, Mazgani, Hélder Moutinho, Márcia, Ana Bacalhau e Duarte Maia contam-se entre as propostas de espetáculos de música, enquanto na dança figuram "O salvado", com direção, interpretação, textos e escolha musical de Olga Roriz, em fevereiro, e o programa "Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo apresenta", em março.
Outras propostas na dança incluem "Parterre", pelo coreógrafo e bailarino brasileiro Volmir Cordeiro, e "Maneras de Salir", com conceito e coreografia da bailarina Varinia Canto Vila, ambos em maio, e "Olhos periféricos fazem sismos, línguas enroladas chamam um vulcão", título provisório da estreia, em outubro, da nova criação de Amador Alina Folini, artista, performer e coreógrafo não binário, oriundo da Argentina e que atualmente se divide entre Lisboa e Amesterdão.
Da programação da CTA para 2026 constam ainda três exposições: "Dicionário de Luz", de Pedro Castanheira, "Na luz das sombras: Marionetas de sombra do Museu da Marioneta" e "Memórias com futuro", uma exposição de fotografias de Alípio Padilha.
A programação completa da temporada poderá ser consultada no 'site' da CTA.
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