Comissão de Defesa chumba audição do chefe do Estado-Maior da Armada
- 13/01/2026
O Livre queria ouvir no parlamento o chefe do Estado-Maior da Armada após notícias terem avançado que "41 cadetes da Escola Naval, alunos do 2.º ano do curso 'Nicolau Coelho', terem sido alvo de um processo disciplinar depois de, num questionário anónimo de avaliação do ensino, denunciarem 'comportamentos inadequados' de um professor, supostamente com contornos de assédio, como aproximações físicas a cadetes femininas e gestos considerados impróprios".
O Livre, que considerou o caso grave, acrescenta que na sequência desta situação os 41 cadetes terão sido acusados e punidos por "desrespeitarem o docente ao associar de forma ligeira atos involuntários e inconscientes a comportamentos inadequados".
Durante a discussão do requerimento, o deputado do PSD Bruno Vitorino afirmou que tem "dificuldade em acompanhar" esta iniciativa do Livre, considerando que, ao ser aprovado, é aberto "um precedente em ouvir um chefe de um ramo com base em boatos".
Também o deputado do Chega Nuno Simões Melo considerou que não se deve ouvir o chefe do Estado-Maior da Armada por causa da aplicação da disciplina, sustentando que "este requerimento parece muito bonito, mas é extremamente perigoso".
Patrícia Faro, do PS, que está igualmente contra este requerimento, referiu que a função da comissão de Defesa é "fiscalizar e acompanhar o trabalho do Governo e não as funções disciplinares no âmbito das Forças Armadas, que têm uma hierarquia para essa função".
O deputado do CDS/PP João Almeida partilha da mesma opinião, sublinhando que a comissão de Defesa "nunca deve questionar sobre um procedimento disciplinar interno".
Patrícia Gonçalves, do Livre, afirmou compreender que os restantes partidos não queiram aprovar esta audição, acrescentando que na audição regimental o chefe do Estado-Maior da Armada será questionado sobre esta questão.
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