Comércio de Alcácer do Sal tenta retomar atividade mas ainda faz contas
- 02/02/2026
Elisabete Pato e a filha, Mariana Alexandra, já reabriram o snack-bar D'Aldeia, que escapou por pouco às inundações, apesar de ainda não haver televisão, nem ligação à Internet.
"A água subiu cerca de metro e meio aqui perto, na avenida dos Aviadores. Felizmente não chegou aqui. Mas, devido à falta eletricidade, tudo o que estava nas arcas frigoríficas teve de ir para o lixo. E o programa de faturação deixou de funcionar por não haver Internet", disse, reconhecendo que há muitos moradores e comerciantes ainda mais afetados.
A casa de Elisabete Pato também escapou às cheias provocadas pela subida do rio Sado no final da semana.
"A casa é um pouco alta, tem quatro degraus à entrada, e não foi inundada", explicou.
Mais graves foram os danos na loja Minuto a Minuto, da rede Agricentro, onde, segundo Rosa Lince, a água atingiu entre 60 e 80 centímetros de altura e destruiu grande parte da mercadoria em armazém.
"A água entrou pela loja toda e apanhou o armazém completamente cheio", afirmou a responsável, assegurando que grande parte da mercadoria ficou inutilizada.
"Em três dias tinham entrado cerca de 40 mil euros em mercadoria e mais de metade perdeu-se", sublinhou, estimando prejuízos de "dezenas de milhares de euros".
E, além dos prejuízos, agora chegou também a preocupação em relação à continuidade da atividade, porque está desde quarta-feira sem faturar e não consegue antever quando a situação poderá voltar à normalidade.
A poucas dezenas de metros, os proprietários de outros estabelecimentos comerciais - uma cabeleireira, uma loja chinesa e muitos outros instalados na avenida dos Aviadores - tentavam hoje remover o lixo, produtos e máquinas destruídos, numa das zonas mais afetadas pelas cheias no concelho de Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal.
Entre os donos das lojas, um sentimento era comum: o receio de que as possíveis ajudas demorem. Alguns garantem que não se vão endividar mais para beneficiar dos apoios.
Em declarações à Lusa, a presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, referiu que o município está a fazer o levantamento dos prejuízos e a articular respostas com a Proteção Civil, salientando que a prioridade é a reposição dos serviços essenciais e o apoio às populações e comerciantes afetados.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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