Comerciantes de Alcácer do Sal com os negócios estragados pelas cheias
- 06/02/2026
A cidade alentejana do distrito de Setúbal acordou hoje com a boa notícia de que houve uma descida significativa das águas do rio Sado, que inundaram na quarta-feira a zona da Avenida dos Aviadores, a marginal, as ruas e travessas.
Os comerciantes conseguiram aceder aos seus estabelecimentos e encontraram um rasto de destruição, móveis revirados, os materiais molhados, estragados vários e lama no chão.
Maria Luísa, que é proprietária de uma loja de roupa e retrosaria há 43 anos, disse que "está tudo estragado", pois a água subiu mais de um metro, algo que a comerciante não esperaria.
"Não tenho uma peça que não esteja molhada e cheia de lama", afirmou, revelando que já tinha retirado três carrinhas de produtos, como novelos de linhas ou meias, da sua loja.
Alguns populares foram ajudar os comerciantes, constatou a agência Lusa no local, tendo um deles retirado da loja de Maria Luísa um vaso pequeno de flores que não ficou estragado.
"Primeiro, para chegarmos, tivemos que estar a tirar baldes de água, para se poder entrar, e agora aquela pessoa amiga tem varrido e tem tirado baldes de água para se poder ir, mas só com botas de borracha. Sem as botas de borracha não dá para andar ali", contou.
À frente da loja de roupa está o salão de beleza da Lizeta Martins, que ficou com cadeiras, espelhos e produtos de beleza sujos de lama.
"Isto é uma ajuda para a minha reforma, porque eu tenho uma reforma pequena, e, se não for isto, é pior", revelou Lizeta Martins, acrescentando, com otimismo, que "agora é limpar, comprar ou arranjar mobiliário" para poder fazer a sua vida.
Ao longo da rua, a Lusa observou o rasto deixado pelas inundações, como lojas com vitrines partidas, raspadinhas molhadas de uma casa de apostas e caniços.
Aquela rua, que nestes dias esteve interdita, viu pessoas a serem solidárias, a perderem o seu negócio ou residência e emocionadas, como uma comerciante, que não quis prestar declarações, porque estava assustada com o estado do seu salão e preocupada com o filho, que também tem um estabelecimento na zona ribeirinha.
Manuel Merca viu os eletrodomésticos, que vende, a 'irem por água abaixo' e estava a tentar recuperar alguma mercadoria, como lâmpadas, colocando-a numa carrinha branca.
"Esperamos que alguém nos possa ajudar e vocês [comunicação social] também têm alguma responsabilidade de chatear quem de direito", afirmou Merca.
O comerciante ainda não conseguiu contabilizar os prejuízos porque só depois de tudo acalmar é que poderá ver "o que está destruído [e] o que é que ainda se pode arrumar".
Em frente desta loja, encontra-se a residência de um casal de professores, que estava completamente destruída.
Mas nem todos os comerciantes conseguiram aceder aos seus negócios, como é o caso de Tânia Flamino, proprietária de uma pastelaria.
Segundo Tânia Flamino, "a situação não foi fácil", mas com "a ajuda de toda a gente, toda a população mobilizada, de pessoas de fora, se calhar torna-se mais leve".
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.
Leia Também: Café na aldeia de Santa Catarina combate isolamento de Alcácer do Sal













