Comandante nacional da Proteção Civil fora do país durante tempestades
- 03/02/2026
O Comandante Nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, ausentou-se de Portugal durante três dias para uma formação em Bruxelas, na Bélgica, na semana passada. A ida, autorizada pela Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANEPC) aconteceu a 26 de janeiro, depois da tempestade Ingrid, durante a que foi denominada como Joseph e antes da depressão Kristin, esta última na sequência da qual morreram dez pessoas. O responsável regressou a Portugal no dia 28.
A informação é avançada esta terça-feira pela revista Sábado, que refere que fonte oficial da ANEPC explicou que o presidente do organismo, José Manuel Moura, deu 'luz verde' a esta deslocação, que aconteceu no âmbito do curso de auditor de Defesa Nacional do Instituto da Defesa Nacional.
"A deslocação foi autorizada pelo presidente da ANEPC, uma vez que, à data da partida, não existia qualquer informação relativa à depressão Kristin, da qual apenas fomos formalmente informados no dia 26 de janeiro, às 21h30, com confirmação no dia 27 de janeiro", explicou fonte oficial à publicação.
O comandante Mário Silvestre saiu do país segunda-feira, 26 de janeiro, pelas 7 horas (quando decorria a tempestade Joseph), numa altura em já estavam previstos ventos e agitação marítima fortes. Foi à chegada a Portugal, e já quase um dia após a formação da depressão Kristin que, por volta das 20 horas, que o comandante "retomou as suas funções", de acordo com o que a mesma fonte.
No fim de semana anterior à chegada de Kristin, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, já alertava para "episódios de precipitação forte, por vezes em forma de neve" e acompanhados por "rajadas fortes do quadrante oeste."
No site Meteored, o meteorologista Alfredo Graça, já avisava que na semana seguinte Portugal prepara-se para enfrentar um "comboio de tempestades", com previsões de chuvas intensas e ventos fortes em todo o território nacional.
A primeira tempestade a chegar foi a denominada por Ingrid, que deixou o país em alerta para chuva, neve, vento e agitação marítima. A tempestade Joseph 'aterrou' por cá entre a madrugada de dia 25 e o dia 26. Já na noite do dia 27, a depressão Kristin deixou um rasto de destruição e causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. Agora, tal como referido acima, são dez o número total de mortos registados no âmbito desta tempestade.
"O Comando Nacional de Emergência e Proteção Civil é uma estrutura hierarquizada, tendo estado permanentemente assegurada a presença do 2.º Comandante Nacional e dos cinco Adjuntos Nacionais, que garantem, naturalmente as ausências e impedimentos", explicou ainda fonte oficial à Sábado, acrescentando: "A ativação do Centro de Coordenação Operacional Nacional (CCON), com carácter extraordinário, é da competência do Presidente da ANEPC, onde esteve desde as 23h00 do dia 27 até às 01h00 do dia 29 de janeiro".
De 26 a 28 de janeiro, o 2.ª comandante nacional do organismo, José Ribeiro, assumiu funções em substituição de Mário Silvestre. A ausência do comandante nacional fez-se notar em conferência de imprensa. Tal aconteceu, por exemplo, numa conferência dada no dia 27, onde estiveram o presidente da ANEPC, José Ribeiro e o meteorologista Nuno Lopes.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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