Com "tudo em aberto", António Filipe defende aposta na diplomacia
- 16/01/2026
No último dia de campanha, António Filipe fez a tradicional descida do Chiado, em Lisboa, acompanhado de muitos apoiantes, entre eles Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, e, entre outros, a mandatária Sofia Lisboa, e os comunistas Carlos Carvalhas, João Ferreira ou Bernardino Soares.
A descida foi feita em passo lento e ao som das palavras de ordem "Nem direita nem centrão, António é a solução" e "A lutar por quem trabalha, o António nunca falha".
A meio, o candidato presidencial apoiado pelo PCP e pelo PEV afirmou que "está tudo em aberto" para as eleições de domingo e lançou ainda um forte apelo à paz, perante as ameaças de guerra.
"O povo português vai decidir, mas ainda não decidiu", frisou, para acrescentar que se "trata de acabar com as indecisões" e que o "direito de voto que os portugueses conquistaram é para ser exercido com convicção, em liberdade, sem pressões, sem chantagem e sem medo".
Mais uma vez, António Filipe realçou que o povo português que conquistou a liberdade não teve medo de lutar pela liberdade.
"Por isso é importante lutar nestas eleições no candidato que se identifique com os valores de Abril, da Constituição, com os direitos fundamentais e para que não fique tudo na mesma. O voto para que tudo fique na mesma é um retrocesso", sublinhou.
"Nós temos a oportunidade de votar num Presidente da República que esteja determinado em lutar por esses valores, é essa a mensagem que faço aos eleitores", acrescentou.
Defendeu ainda que a "esquerda não está derrotada" e que não teve dúvidas da "justeza e da necessidade" da sua candidatura.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse hoje o seu sucessor terá uma tarefa mais difícil do que a sua devido à situação internacional.
"Temos a viver tempos difíceis, muito difíceis. Os direitos portugueses estão claramente ameaçados. Temos tido políticas públicas que não só não estão de acordo com aquilo que são os princípios constitucionais, mas inclusivamente têm vindo a contrariar valores fundamentais da Revolução de Abril que estão consagrados na Constituição", comentou a propósito o ex-deputado comunista.
Acrescentou ainda que "mundo está numa situação muito difícil, com ameaças de guerras" e é preciso um "Presidente da República que também, nesse ponto de vista, esteja alinhado com os valores da resolução pacífica dos conflitos que constam na Constituição".
"E o Presidente da República vai ter um papel determinante nessa matéria", defendeu.
Desafiado a comentar as declarações de Francisco Assis que à Renascença defendeu a ideia de mandar tropas portuguesas para a Gronelândia, António Filipe respondeu: "Eu acho que não é essa a consideração que temos de fazer agora, eu acho que não se resolvem os problemas que afetam o mundo com a ameaça de enviar tropas, seja para onde for".
Para o candidato apoiado pelos comunistas, é preciso "apostar na diplomacia, apostar na resolução pacífica dos conflitos internacionais".
"É completamente prematuro estar a pensar nisso dessa forma. Agora o que é preciso é que os conflitos sejam resolvidos de uma forma pacífica (...) É preciso ter a coragem de lutar pela paz e não de alimentar os ventos da guerra que por aí sopram", sublinhou.
No discurso, já no final da descida do Chiado, voltou ao tema para defender "a paz" e se mostrar contra o envolvimento de Portugal em projetos militaristas e belicistas.
"Temos de ter a coragem de defender a paz e temos coragem de exigir que os nossos recursos sejam utilizados, sejam investidos para melhorar as condições de vida do povo português", realçou.
António Filipe termina a campanha eleitoral com um jantar com apoiantes em Loures.
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