Cineastas Panahi e Rasoulof denunciam "repressão flagrante" no Irão
- 10/01/2026
"O regime iraniano cortou as ferramentas de comunicação dentro do país" e "bloqueou todos os meios de contacto com o mundo exterior", salientam os dois dissidentes numa mensagem publicada na conta do Instagram de Jafar Panahi, Palma de Ouro do último Festival de Cannes.
Alertando que "o recurso a tais medidas visa ocultar a violência infligida durante a repressão dos protestos", os cineastas apelam à comunidade internacional para que "estabeleça meios de comunicação para monitorizar o que se passa no país".
Depois de França, Alemanha e Reino Unido, hoje também a Noruega condenou o uso da força contra os manifestantes nas ruas do Irão, onde pelo menos 51 pessoas já morreram como resultado da repressão aos protestos antigovernamentais que abalam o país, segundo a Organização Não-Governamental (ONG) Iran Human Rights (IHRNGO), com sede em Oslo.
"Estou profundamente preocupado com a evolução dos acontecimentos no Irão", afirmou em comunicado o ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Espen Barth Eide, sustentando que "o uso cruel e desnecessário da força contra os manifestantes é inaceitável e deve ser condenado".
A Noruega apela ao Irão para que cumpra as obrigações internacionais, incluindo o direito à liberdade de expressão e de reunião: "Exorto as autoridades iranianas a respeitarem o direito dos manifestantes de se expressarem livremente e a garantirem o livre acesso à informação", sublinhou o chefe da diplomacia norueguesa.
Defendendo que "o Irão deve ouvir o seu povo", o ministro norueguês lamentou que, "em vez disso, infelizmente, as autoridades tentam mais uma vez reprimir a dissidência e limitar as expressões que não correspondem aos seus pontos de vista".
Na sexta-feira, também França, Alemanha e Reino Unido condenaram "veementemente" o "assassínio" de manifestantes no Irão e apelaram à "contenção" por parte das autoridades de Teerão.
"Estamos profundamente preocupados com os relatos de violência perpetrada pelas forças de segurança iranianas e condenamos veementemente o assassínio de manifestantes", disseram, num comunicado conjunto, o Presidente francês, Emmanuel Macron, o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.
Os três líderes instaram as autoridades iranianas a "exercer contenção, abster-se de violência e respeitar os direitos fundamentais" dos cidadãos iranianos.
PD (JH) // JMC
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