Cinco pessoas retiradas de prédio em Lisboa após queda de talude
- 05/02/2026
Entre domingo (01 de fevereiro) e as 12:00 de hoje, a cidade de Lisboa registou um total de 820 ocorrências, sobretudo inundações, com 402 situações, e quedas de árvores, com 195, "um pouco por toda a cidade", em particular na zona ribeirinha, indicou o diretor do Serviço Municipal de Proteção Civil, André Fernandes, em declarações à agência Lusa.
"Neste momento, não há registo de feridos. Tivemos aqui uma situação também pontual na freguesia de São Vicente, onde tivemos de retirar cinco pessoas do edifício [...], mas nada que saia fora daquilo que é o contexto excecional das ocorrências", afirmou André Fernandes.
Sobre a retirada destas pessoas, que ocorreu pelas 10:00 de hoje, o responsável da Proteção Civil disse que se trata de "um conjunto de habitações, duas habitações, portanto um prédio com algumas frações", que devido à queda de um talude tiveram de ser retiradas por precaução, estando já assegurado o realojamento temporário em articulação com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Relativamente ao mau tempo na cidade, André Fernandes afirmou que, "neste momento, a situação está controlada dentro daquilo que é a normalidade e o expectável para o estado do tempo que se faz sentir".
Questionado sobre a preocupação quanto à subida do nível da água do Rio Tejo, o diretor do Serviço Municipal de Proteção Civil disse que "essa preocupação existe sempre que há maré cheia" e que a situação está a ser acompanhada e já foram feitos "alguns cortes e limitações de estacionamento" na zona ribeirinha.
"Tem havido, pontualmente, um ou outro galgamento do rio em situação de maré cheia e, portanto, essa é uma situação que nos preocupa. Mantemo-nos atentos e a monitorizar essa situação", adiantou André Fernandes, reforçando o alerta para que as pessoas não se aproximem da zona ribeirinha, evitem essas deslocações, bem como o estacionamento dos veículos, para minimizar ao máximo situações de risco.
O responsável da Proteção Civil reforçou que todos os serviços da câmara "estão no terreno a responder às ocorrências e a preparar também esta nova leva previsível para este fim de semana" relativamente às condições meteorológicas adversas, inclusive com chuva forte.
"Estamos já a preparar também todo o dispositivo e a fazer todas as limpezas e a acautelar todos os níveis de escoamento, tanto dos sumidouros e das sarjetas, para garantir o máximo de escoamento possível da precipitação expectável, para minimizar ao máximo aquilo que é o impacto desta nova passagem, desta frente de pressão que vem durante o fim de semana", adiantou.
André Fernandes referiu que "não há declaração de alerta dentro daquilo que é o município de Lisboa", mas o concelho está a cumprir com as determinações da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), com o dispositivo operacional em estado de prontidão especial no nível máximo (nível 4).
Na quarta-feira, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), apelou a que se evitem, até domingo, deslocações desnecessárias, tendo em conta as previsões de chuva intensa.
"Deixava aqui alguns conselhos importantes para os lisboetas: o primeiro é evitar deslocações desnecessárias, o segundo é evitar tudo o que são as zonas ribeirinhas e o estacionamento nessas zonas ribeirinhas", aconselhou o autarca, recomendando também o teletrabalho se possível.
Devido ao mau tempo, o autarca de Lisboa ordenou o fecho dos jardins municipais.
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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