Cinco casos de ataques a jornalistas no Uganda em vésperas de eleições
- 14/01/2026
O CPJ lamentou que se esteja a repetir o mesmo "padrão de repressão" observado nas eleições anteriores.
Num comunicado divulgado na noite de terça-feira, o CPJ enfatizou que "Uganda tem um historial de elevados níveis de violência contra jornalistas, especialmente durante períodos eleitorais".
Embora a organização tenha registado cinco casos desde novembro passado -- menos do que os 17 documentados antes das eleições de 2021 -- "os jornalistas afirmaram que o padrão de repressão não mudou: a violência intensifica-se durante as atividades da oposição e a responsabilização raramente é aplicada".
Um dos jornalistas atacados foi Ssematimba Bwegiire, repórter da rádio privada Radio Simba, que perdeu os sentidos depois de ter sido eletrocutado com uma arma de choque por um agente de segurança e atingido com gás pimenta na boca.
Dois órgãos de comunicação social viram também as suas licenças suspensas esta semana pelas autoridades por alegadas atividades "prejudiciais para a segurança e as leis" do país, indicou o CPJ.
A Rede de Direitos Humanos para Jornalistas no Uganda (HRNJ-U), que documenta violações dos direitos humanos contra jornalistas e oferece apoio jurídico, e a organização de formação Centro Africano para a Excelência dos Media (ACME), foram suspensas, juntamente com pelo menos outras duas Organizações Não Governamentais (ONG).
Na terça-feira, foi bloqueado temporariamente o acesso à internet no país e os meios de comunicação social foram proibidos de transmitirem em direto "tumultos e manifestações ilegais".
O Uganda já tinha bloqueado a internet durante as eleições presidenciais de 2021, vencidas pelo chefe de Estado no poder há 40 anos, Yoweri Museveni, que concorre agora a um sétimo mandato.
O porta-voz da Comissão de Comunicações do Uganda (UCC), Ibrahim Bbosa, defendeu estas decisões, assegurando ao CPJ que "quaisquer medidas regulamentares tomadas pela Comissão são regidas pelo quadro legal relevante" e visam impedir a propagação de desinformação e a incitação à violência.
Cerca de 21,6 milhões de ugandeses vão às urnas na quinta-feira para elegerem Presidente e parlamento, numas eleições marcadas por intimidações, violência e desaparecimentos, que instauraram um clima de medo no país.
Na corrida à presidência estão oito candidatos, incluindo o atual chefe de Estado, Yoweri Museveni, do partido Movimento da Resistência Nacional (NRM, na sigla inglesa), e o seu principal rival, o político e ex-músico Bobi Wine, cujo nome verdadeiro é Robert Kyagulanyi, de 43 anos, do partido Plataforma da Unidade Nacional (NUP, na sigla inglesa).
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