Chuva corta estradas e isola povoação no Oeste
- 11/02/2026
"A situação agravou-se no que diz respeito à meteorologia adversa e com a precipitação da última noite passamos a ter em Torres Vedras e Lourinhã [no distrito de Lisboa] muitas vias cortadas devido a inundações", disse à agência Lusa o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Oeste, Carlos Silva.
Na Lourinhã "houve zonas inundadas dentro da própria vila, com a água a entrar em habitações", mas quer neste, quer no concelho de Torres Vedras, "não houve vítimas a registar", afirmou.
Nos concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço, também no distrito de Lisboa, "continuam a verificar-se muitos deslizamentos de terras e ruturas", que levaram ao corte de várias estradas.
Neste último concelho, um deslizamento de terras deixou "a povoação de Pé do Monte isolada no que respeita à passagem de veículos".
Na localidade, "os cerca de 40 habitantes já foram aconselhados a retirar os carros para fora da aldeia", uma vez que, segundo Carlos Silva, "o corte tem cerca de 500 metros, que podem ser percorridos a pé, podendo depois as pessoas movimentarem-se, se tiverem os carros fora desse perímetro".
Apesar da falta de acessos, de água e de eletricidade "não há casas em risco e trata-se de uma comunidade de pessoas ativas, sem problemas de mobilidade, com exceção de uma pessoa com mobilidade reduzida, que está a ser acompanhada pelos serviços sociais para avaliar se quer ser transportada para casa de familiares ou para instalações da câmara, o que para já, declinou", explicou o comandante.
Na área do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Oeste registaram-se, nas últimas 24 horas, "189 ocorrências", mais do que triplicando as registadas no dia anterior, que tinham sido cerca de 60.
Carlos Silva detalhou que foram reportadas 81 inundações, 52 movimentos de massas, 23 quedas de árvores e 16 quedas de estruturas.
Os operacionais deste comando foram ainda ativados para 11 limpezas de via e seis salvamentos terrestres e aquáticos, "para ajudar a retirar pessoas de algumas casas que estão em risco ou de veículos".
O comandante contabilizou na região 90 desalojados (sendo que oito pessoas que estiveram nesta condição já regressaram a casa) e 200 deslocados. Outras 77 pessoas, que anteriormente estiveram deslocadas, regressaram já também às respetivas casas.
O Sub-Comando de Emergência e Proteção Civil do Oeste abrange os concelhos de Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche, no distrito de Leiria, e de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Lourinhã, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras, no distrito de Lisboa.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
DA // JLG
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