Cheias "afetaram profundamente" Moçambique e há necessidades urgentes
- 26/01/2026
"As cheias afetaram profundamente o sul e o centro do país. Por detrás destes impactos estão pessoas reais, com necessidades urgentes de proteção, dignidade e esperança. Entre as pessoas mais afetadas estão mulheres e crianças. Muitos viram as suas casas destruídas, tiveram as suas escolas interrompidas e enfrentam riscos relativos à saúde, à proteção e ao bem-estar", disse.
Catherine Sozi, que é também coordenadora humanitária para Moçambique, falava aos jornalistas, em Maputo, após a entrega da carga do primeiro avião humanitário transportando 88 toneladas de suprimentos essenciais financiados pela UE, que serão distribuídos aos afetados pelas cheias pelas equipas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), nomeadamente pelos 99 centros de abrigo que contam já 100 mil pessoas, sobretudo em Maputo e Gaza.
"As Nações Unidas estão ao lado do povo moçambicano neste momento difícil. A chegada destes suprimentos humanitários representa muito mais do que uma entrega logística. É um símbolo concreto da solidariedade da comunidade internacional com o povo de Moçambique. Num momento de crise, esta solidariedade é essencial e hoje ela está aqui visível para todos", afirmou Catherine Sozi.
Os suprimentos, avaliados em 552 mil dólares (465,5 mil euros), incluem materiais de saúde, água, saneamento e higiene, nutrição, educação e proteção da criança, assim como tendas que serão utilizadas para criar "espaços seguros para crianças", clínicas de saúde temporárias e outros serviços essenciais nas áreas mais afetadas pelas cheias.
"Reconhecemos que esta assistência, embora crucial, representa apenas uma parte do enorme esforço que já está a ser feito pelas próprias comunidades e pelo Governo. Esforços que continuarão a ser necessários nos próximos meses", alertou Sozi.
"Expressar o nosso profundo agradecimento à União Europeia e aos seus Estados-membros, bem como a todos os países que contribuirão, que se comprometeram a contribuir e que continuarão a caminhar ao lado do povo deste belo país. Está é a essência da solidariedade global. E é isso que as Nações Unidas fazem. Dar voz às necessidades de milhares de pessoas afetadas por crise, que são também um reflexo dos desafios globais do nosso planeta", disse ainda a coordenadora, reconhecendo: "Sabemos que ainda há muito trabalho pela frente. Ao povo de Moçambique, reiteramos, vocês não estão sozinhos".
Mais de 150 mil casas foram inundadas em Moçambique nas cheias deste mês, bem como quase 230 unidades sanitárias e mais de 360 escolas, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso, com informação até às 07:00 (05:00 de Lisboa) de hoje, as cheias que se registam em vários pontos do país afetaram já 652.189 pessoas, equivalente a 141.317 famílias, com registo de 3.445 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 153.417 inundadas.
Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias em menos de 20 dias, numa altura em que centenas de famílias continuam sitiadas, a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 131 pessoas em Moçambique, além de 144 feridos, e 779.528 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.
Até 16 de janeiro, era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique (que vai de outubro a abril), avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional.
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