Cerca de 70.000 paquistaneses abandonam casas por receio de conflito
- 01/02/2026
"Até agora, mais de 12.000 famílias saíram do vale de Tirah e registaram-se connosco. Essas 12.000 famílias representam cerca de 70.000 pessoas", disse à agência EFE Talha Rafiq, comissário adjunto da localidade de Bara, que estima que o total de deslocados poderá alcançar 19.000 famílias.
O êxodo, que ocorre sob condições de frio extremo e neve no distrito de Khyber, esvaziou já cerca de 80% do este do enclave.
Esta movimentação no noroeste coincide com os dias mais sangrentos dos últimos anos no Paquistão, na província de Baluchistão (sul), onde o Exército tenta recuperar o controlo após uma ofensiva massiva de separatistas que deixou mais de uma centena de mortos em ataques coordenados.
O Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), o principal grupo talibã do país e aliado dos talibãs afegãos, opera no norte, enquanto o BLA, os balúchis separatistas, atua no sul.
Embora os grupos armados sejam distintos, o desafio para Islamabad é uma perda de controlo territorial que obrigou o comando militar a mobilizar tropas nas duas frentes simultâneas.
Enquanto o Governo de Khyber Pakhtunkhwa vincula o movimento a uma ofensiva militar iminente, o executivo central em Islamabad mantém que se trata de uma migração sazonal habitual, devido ao inverno.
A Alianza Política de Bara, que agrupa líderes locais e anciãos, realizou no sábado uma Jirga (assembleia consultiva) para exigir o fim dos ataques em zonas residenciais e denunciou o uso de artilharia, morteiros e 'drones' no vale, o que provocou pânico na população civil.
Os líderes locais apresentaram um conjunto de exigências, pelo regresso honrado das vítimas e garantias de uma paz sustentada, numa região que serviu historicamente de refúgio para milícias islamistas.
Leia Também: Pelo menos 88 mortos após ataques de rebeldes no Paquistão













