Cerca de 150 mil pessoas regressaram desde o início do ano ao Afeganistão
- 13/02/2026
"O número já elevado de regressos este ano é preocupante, dada a severidade do inverno, com temperaturas gélidas e fortes nevões em grande parte do país", disse o representante do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) no Afeganistão, Arafat Jamal.
Um relatório publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) a 12 de novembro passado indicou que o Afeganistão está a atravessar uma das maiores migrações de regresso dos últimos anos.
Segundo as Nações Unidas, no ano passado, mais de 2,6 milhões de afegãos regressaram ao país, elevando o número total de retornados para quatro milhões em dois anos, muitos deles mulheres e crianças que chegam com poucos pertences a comunidades incapazes de recebê-los.
A organização tem alertado para a "grave crise humanitária" no Afeganistão, tendo o líder humanitário da ONU, Tom Fletcher, avisado que a situação pode piorar este ano, apesar de as Nações Unidas terem retomado parcialmente as suas atividades na fronteira com o Irão.
O relatório do PNUD indicou ainda que os repatriados estão a instalar-se nas regiões pobres do leste e norte do país, intensificando a competição por empregos, habitação, água e outros serviços básicos e sobrecarregando a capacidade de resposta local.
O documento referiu ainda que nove em cada 10 famílias afegãs disseram recorrer a estratégias de sobrevivência negativas, como reduzir refeições, vender pertences e depender de empréstimos.
"O endividamento generalizou-se em todos os grupos populacionais, variando entre 88% das famílias de quem regressou e 81% das famílias da comunidade de acolhimento", destacou o relatório da organização.
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