Catarina Martins diz candidatar-se contra quem cria fraturas e pela solidariedade
- 15/01/2026
"Vemos que há muito projeto para o país que passa por tentar separar-nos entre nós e eles", começou por dizer a candidata às eleições presidenciais, acrescentando logo de seguida que a única "fratura que conta" é entre a "elite do privilégio e a enorme maioria que trabalha para assegurar Portugal".
A ideia foi transmitida logo no arranque de uma sessão pública à noite no histórico Café Vianna, em Braga, onde as cadeiras foram poucas para sentar todos os apoiantes que quiseram assistir e participar.
"Quem aqui está sabe que nesta enorme maioria que trabalha, e que trabalha tantas horas e tantas vezes por um salário tão baixo, esta enorme maioria sabe que nos seguramos umas às outras, uns aos outros", sublinhou.
Essa solidariedade, continuou Catarina Martins, está na base no seu projeto para o país, um país que rejeita as tentativas de divisão, "seja pelo género, seja pelo lugar onde nascemos, seja pela cor da nossa pele, seja por onde for".
"O que nos perguntamos é "Esta pessoa partilha o mesmo que eu? Partilha o mesmo problema de baixo salário? Partilha como todo o país a falta de transportes? Partilha como todo o país a falta do médico?". Então se partilha, somos a mesma comunidade e lutamos lado a lado", apontou.
Na reta final da campanha, que dedicou ao Norte do país, Catarina Martins explicou que escolheu aquela cidade pelo exemplo que têm demonstrado ao longo dos últimos dois anos em que mantêm todas as semanas vigílias pela Palestina.
"E isso não é coisa pouca. As promessas de cessar-fogo não são o que parecem. Todos os dias continuam os ataques, a ajuda humanitária continua sem chegar", afirmou, elogiando a persistência dos bracarenses.
A propósito das questões internacionais, a candidata às eleições de domingo defendeu a necessidade de "perceber onde está a segurança" do país.
"Está na defesa do direito internacional, quando se fala da Gronelândia, de Gaza, da Ucrânia ou da Venezuela. Porque são princípios. São os princípios que nos fazem mais fortes", acrescentou.
E sobre o motivo para escolher aquele café que é o café mais antigo de Braga, Catarina Martins disse tratar-se de uma reivindicação pelos espaços das cidades.
"Num país em que muitos centros da cidade estão cada vez mais sem gente dentro e só para turistas, como se fossem permanentes cartões postais, fazer conversas em cafés, reivindicar os centros das cidades, reivindicar o espaço para a gente que aqui trabalha e constrói o país, é muito importante. E isso é já uma campanha eleitoral, isso é já um programa para o país", explicou.
Entre os vários apoiantes presentes, Catarina Martins foi questionada sobre o facto de ser a única mulher entre 11 candidatos, tema que tem destacado ao longo da campanha, voltando a responder colocando-se ao lado das mulheres num caminho longo pela igualdade de género.
Aproveitou também a pergunta para comentar as declarações do candidato apoiado pela IL, João Cotrim Figueiredo, que considerou irrazoável que a interrupção voluntária da gravidez possa ser decidida sem conhecimento do pai.
"Devo dizer que fiquei muito chocada porque nestas eleições também ouvi um candidato achar que os homens têm que ter opinião quando as mulheres decidem sobre o seu corpo. Portugal fez um caminho muito importante para que as mulheres tenham direitos e não vamos andar para trás", afirmou.
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