Cáritas alerta para vulnerabilidade habitacional de muitas pessoas
- 06/02/2026
"É uma situação que nos está a preocupar bastante. Estamos a deparar-nos com situações de famílias que vivem em casas arrendadas, mas sem qualquer contrato, sem recibo de renda", afirmou à agência Lusa o diretor de serviços da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima, Nelson Costa.
Segundo Nelson Costa, técnicos da instituição, na quinta-feira, depararam-se com "a situação de uma família que o único sítio onde pode dormir é na sala".
"Quando fomos fazer uma visita a esta habitação, as três crianças do agregado familiar estavam no carro, porque era o sítio mais seguro e mais digno para elas estarem", adiantou, referindo que a situação é no concelho de Leiria.
Neste momento, esta família de migrantes "continua a dormir na sala, porque há falta de resposta em matéria de habitação", tendo-lhe sido dito para procurarem uma casa, com a Cáritas a comprometer-se a apoiar.
Este responsável da Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima frisou que a instituição está preocupada com a situação habitacional de todas as famílias afetadas pelo mau tempo, incluindo migrantes.
"Também eles precisam de dignidade e, efetivamente, nos tempos que correm e com extremismos que muitas vezes que aparecem...", observou.
Nelson Costa destacou que "estas pessoas são muito importantes também para Portugal, estão à procura de melhores condições de vida e lutam muito para ter melhores condições de vida".
"Esta tempestade também, mais uma vez, foi pôr em causa a dignidade e os projetos de vida de todas estas pessoas, desde o migrante ao português", acrescentou.
Nas redes sociais, a Cáritas adiantou ter distribuído "35 toneladas de alimentos e produtos de higiene" até às 12:00 de quinta-feira e apoiado diretamente 293 famílias, com cabazes e bens essenciais nas suas instalações
"Entre segunda-feira e quarta-feira, visitámos e acompanhámos diretamente 196 famílias nos vários concelhos da Diocese de Leiria-Fátima", sendo que na quinta-feira "estiveram 19 técnicos e voluntários no terreno, num trabalho incansável de proximidade, escuta e apoio direto".
Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até 15 de fevereiro, abrangendo 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 de fevereiro para 68 concelhos, voltando hoje a ser prolongada até 15 de fevereiro.
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