Capello explica problema do Real Madrid com... Rafael Leão
- 05/01/2026
Fabio Capello concedeu uma extensa entrevista à edição desta segunda-feira do jornal espanhol Marca, na qual abordou diversos temas, começando, desde logo, pela crise de resultados que assola o 'seu' Real Madrid (clube que orientou, em 1996/97 e em 2006/07), e que vai colocando, inclusive, em causa a continuidade de Xabi Alonso.
"Eu digo sempre que há que fazer o vinho com a uva que tens. Se queres fazer champanhe, mas não tens uvas de champanhe, não vais fazer champanhe... Quando uma pessoa chega a um sítio novo, tem de conhecer onde vai trabalhar", começou por afirmar, sublinhando que o antigo internacional espanhol conhece o Santiago Bernabéu "como jogador, o que não é o mesmo que conhecer como treinador".
"Estes jogadores nunca pressionaram, nunca, e não vão fazê-lo. Com [Carlo] Ancelotti, também pouco pressionavam. Uma coisa é regressarem e colocarem-se numa zona na qual ajudem a equipa, mas queres mesmo que pressionem? Não têm essa capacidade, não podem fazê-lo", prosseguiu o agora comentador desportivo, de 79 anos de idade.
"É o mesmo que se passava com [Rafael] Leão, no AC Milan. Estamos a falar de jogadores que, quando têm a bola, causam danos ao adversário, e, quando a equipa não a tem, têm de regressar, mas não para se colocarem a pressionar (...). Agora, parece que tudo consiste em ter de pressionar, mas o importante é colocar bem a equipa em campo", completou.
Nesse sentido, Fabio Capello sublinhou: "Há casos individuais nos quais um jogador, se não pressiona, tudo bem, não pressiona, mas, quando tem a bola, tem de fazer algo de bom, de diferente, e é aí que tens de exigir-lhes. Se não trabalha a 100% sem bola, que o faça a 70%, pelo menos, que trave algo do adversário".
"Vinícius Júnior cometeu uma falta de respeito"
Em contraponto, Fabio Capello aplaudiu a maneira como Xabi Alonso geriu a polémica em torno de Vinícius Júnior: "Esteve perfeito. Perante todo o estádio, todos os adeptos, não é sítio para resolver nada. Há que falar depois, no balneário, e, sobretudo, pedir perdão à equipa e ter respeito ao balneário.
"São 24 companheiros, e todos querem jogar. Porque Vinícius cometeu uma falta de respeito para com o jogador que entrou em campo [Franco Mastantuono], para o seu lugar. O treinador não é o mais importante, mas sim esse companheiro de equipa", refletiu, referindo-se ao tão badalado triunfo sobre o Alavés, por 1-2.
O ex-treinador italiano estabeleceu, de resto, um paralelismo entre este caso e aquele provocado por "Ronaldo, o brasileiro", que acabou por dispensar dos merengues: "Quando o treinei, não tinha lesões, mas também não tinha vontade. Não gostava de reduzir o peso, gostava da vida... E corri com ele do Real Madrid".
"O problema dele não era treinar, era reduzir o peso. No Real Madrid, ele pesava 94 kg, e perguntei-lhe 'Quando conquistaste o Mundial, em 2002, no Japão, quanto é que pesavas?'. '84 kg', disse-me. 'Pois, não podes ter mais dez kg agora, Ronnie', disse-lhe", rematou.
Leia Também: Na ausência de Mbappé, formação do Real Madrid resolve na La Liga













