Cantor dos Excesso afetado pela depressão Kristin. "Fiquei desolado"
- 04/02/2026
O cantor João Portugal, da banda Excesso, foi também uma das vítimas da depressão Kristin, que atingiu o nosso país na passada semana. O artista, que reside na zona de Vieira de Leiria, uma das mais afetadas, partilhou um desabafo nas redes sociais sobre o que aconteceu ao seu estúdio de fotografia. O intérprete é fotógrafo profissional há muitos anos e é essa a sua atividade principal.
"Na noite da passagem de ano, pedi apenas que 2026 fosse um pouco melhor. Bastou um mês para se tornar o pior ano da minha vida — e, principalmente, da vida de muita gente que, de um momento para o outro, ficou sem casa, sem teto, sem comida, sem luz, sem água e sem uma vida que construiu ao longo de muitos anos com muito esforço, mas que num ápice perdeu tudo. Um inferno vivido em Leiria, Marinha Grande, Vieira de Leiria e noutras zonas próximas afetadas. Houve mortos e feridos, pessoas e animais. Parte-me o coração a quantidade de animais desaparecidos!", começou por explicar o artista.
"Quando tudo aconteceu, eu estava em Vidago, em trabalho. Só consegui voltar no dia seguinte. Acompanhar tudo à distância, sem poder fazer nada, foi desesperante. Senti uma impotência enorme. E deixo uma pergunta direta: por que é que, em tempos de guerra, o governo mobiliza milhões para fora, mas, quando o seu próprio povo perde quase tudo numa catástrofe natural extrema, o Estado vira a cara e assobia para o lado? Pior ainda, com campanhas eleitorais vazias enquanto famílias perdem tudo. Só quem viveu isto sabe o que dói. Quando cheguei ao meu estúdio e vi aquele cenário, fiquei desolado. Não tanto pelas perdas materiais, mas pela história e pelos anos de vida ali construídos", refere.
"Mas nada é mais grave do que as famílias que ficaram literalmente sem casa, sem comida, sem água e sem eletricidade. A essas pessoas deixo o meu respeito e total solidariedade, no que precisarem. No meio de tanta dor, o que mais emociona é a entreajuda: um povo que, mesmo destruído, ainda encontra força para ajudar o vizinho do lado. Em 2017 foram os incêndios. Agora, esta tempestade levou consigo parte da esperança que ainda restava no nosso cantinho do Oeste!", explicou ainda.














