Candidatos da Direita parecem competir numa espécie de "Montenegrómetro"
- 10/01/2026
"Em vez de explicarem porque é que merecem os votos, os candidatos passaram a explicar porque é que merecem o carinho do senhor primeiro-ministro. Nesta campanha, a competição é um Montenegrómetro", considerou.
Enquanto discursava durante um almoço-comício na cantina do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, perante cerca de 400 apoiantes, Catarina Martins considerou que, nos últimos dias, a campanha assumiu "um tom estranho".
Na mira da candidata apoiada pelo BE estiveram cinco candidatos, que Catarina Martins fez questão de nomear, justificando: João Cotrim Figueiredo, apoiado pela IL, Luís Marques Mendes, apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP, Henrique Gouveia e Melo, André Ventura, apoiado pelo Chega, e António José Seguro, apoiado pelo PS.
"Cotrim manda uma carta -- "Vossa excelência pode contar comigo" --, Marques Mendes manda o recado -- "Luís, sabes que sou do teu partido" --, Gouveia e Melo faz-se fotografar ao lado de uma estátua do fundador do partido de Montenegro e Ventura garante que esse fundador (Francisco Sá Carneiro), se fosse vivo, estaria a carregar uma bandeira do Chega", ironizou.
Sobre Seguro, Catarina Martins referiu o seu papel no período da 'troika', acusando Seguro de, enquanto secretário-geral do PS, ter cooperado com o Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho.
"Aquele contra o qual Mário Soares se levantou, ontem foi receber a bênção de Santana Lopes, o ex-primeiro-ministro que Jorge Sampaio demitiu", apontou.
No dia em que recebeu o apoio da socialista Isabel Moreira, que não esteve presente, mas escreveu um texto que foi lido durante o almoço, Catarina Martins citou outros socialistas como exemplo daquilo que quer ser enquanto chefe de Estado.
Em Mário Soares elogiou as Presidências Abertas, e sobre Jorge Sampaio destacou a capacidade de "fazer ouvir o país, aprender, exigir, desbloquear", enquanto Maria de Lurdes Pintassilgo -- uma figura que tem sido, em várias momentos, recordada por Catarina Martins -- "fez uma campanha presidencial para uma democracia forte e participada", em 1986.
"Ser presidente não é pôr uma medalha ao peito, é trabalhar por Portugal", defendeu, sublinhando que "há lá mais questão de regime do que como vive o nosso povo".
E nas questões de regime, acrescentou a candidata a Belém, "a Presidente conta e quando o Governo falha ao país, a Presidente tem de fazer ouvir a exigência da democracia".
Voltando aos candidatos da direita e do centro, Catarina Martins considerou que a ambição comum entre os cinco parece ser "ter uma conversinha com o primeiro-ministro na quinta-feira de manhã", referindo-se aos habituais encontros semanais entre os chefes de Governo e de Estado.
"Votar em alguém para ter uma conversa nas quintas-feiras é desistir de Portugal. Votar em alguém para ter a certeza que não fará nada é desistir de si próprio", alertou, defendo que "o futuro do país não está em conversas de palácio".
O futuro do país está, por outro lado, no "país que saiu à rua" durante a greve geral, nos profissionais de saúde, nos professores e "em gente que fala mais claro do que qualquer candidato das conversas".
"É por isso preciso uma Presidente à altura deste país, que leve essa força a Belém, que faça ouvir esta voz em todas as instituições, que mostre ao país as lutas que os candidatos do costume querem esconder. E é esse o futuro que eu quero representar", concluiu.
Leia Também: Catarina Martins apela ao voto "em quem faz este país"













