Candidatos com "campanhas milionárias" respondem a grandes interesses
- 15/01/2026
"Temos candidatos com campanhas milionárias. Quem paga? A minha campanha é uma campanha quase sem orçamento, feita com a vontade das pessoas que se juntam. Porquê? Eu não respondo a nenhum grande interesse", afirmou Catarina Martins.
Em declarações aos jornalistas durante uma visita à feira semanal de Barcelos, Catarina Martins não gostou de ser questionada se acredita num resultado superior ao que as sondagens têm indicado, e que colocam a candidata apoiada pelo BE com uma intenção de voto de cerca de 2%.
Considerando que a insistência nos pedidos de comentário a sondagens, em prejuízo das ideias que os candidatos defendem, representa "uma manipulação da democracia", a candidata a Belém sugeriu outras perguntas, nomeadamente sobre o financiamento das campanhas eleitorais.
"Houve candidatos que se embrulharam a campanha toda em insultos, em lama, em insinuações e que têm, na verdade, campanhas muito financiadas", apontou.
Com um orçamento de 50,4 mil euros, Catarina Martins é uma das candidatas que prevê gastar menos na campanha para as eleições presidenciais de 18 de janeiro, à frente apenas de André Pestana, que espera gastar 7.200 euros, e Manuel João Vieira, que orçamentou uma despesa de 860 euros.
De acordo com os dados da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, a campanha mais cara é a de Luís Marques Mendes, que espera gastar 1,32 milhões de euros, seguido de António José Seguro, com uma despesa prevista de 1,13 milhões, Gouveia e Melo, que prevê um gasto de cerca de um milhão de euros, e André Ventura, que fica pelos 900 mil euros.
Ainda assim, a candidatura de Seguro é a que tem uma maior previsão de receita - e a única com uma receita superior à despesa -, uma vez que conta com donativos em espécie no valor de 225 mil euros, que aumentam o valor que terá disponível para a campanha para 1,49 milhões de euros.
Sem mencionar nomes de candidatos, nem concretizar a que interesses económicos se refere, Catarina Martins disse que não é a insinuação que importa, mas acabou por insinuar.
"Há quem possa ter campanhas milionárias e há quem faça campanhas com um vigésimo do orçamento, porque há quem responda seguramente a interesses económicos muito poderosos e há quem responda por quem tem um salário curto e luta todos os meses para pagar a fatura da luz, a fatura do supermercado, a renda da casa", disse.
Questionada se orçamentou a campanha contando receber subvenção (atribuída apenas aos candidatos com, pelo menos, 5% dos votos), Catarina Martins afirmou que a sua campanha foi pensada em torno "da vontade das pessoas que se juntaram".
"E tenho muito orgulho de chegar ao fim da campanha a saber que é fácil com a força de cada pessoa que acreditou, que deu o seu tempo, que fez o seu donativo e que quis estar nesta campanha", acrescentou.
A esse propósito, confirmou que tanto a candidata como todos os membros da equipa que a acompanha desde dia 04 de janeiro, quando arrancou oficialmente, têm pernoitado em casa de familiares e amigos, dispensando sempre a necessidade de pagar alojamento.
"As pessoas desta feira que vêm falar comigo, acham que vivem como? É uma vida dura e a campanha deve ser uma campanha que é a campanha do país, das possibilidades que o país tem, não é nenhum sacrifício", assegurou.














