Cancro? "Não podemos falar em cura, mas falamos em controlo"
- 12/01/2026
"Todos os anos, no mundo, aumenta muito o número de cancros. Mas as pessoas que morrem por cancro não têm aumentado. O que significa que, todos os anos, melhoramos a taxa de controlo. Não podemos falar em cura, mas falamos em controlo. Perceber isso é muito importante, e é isto que fazemos nestas sessões", descreveu, em declarações à Lusa, o diretor do IPATIMUP (Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto)
O patologista que foi Prémio Pessoa em 2002 falava a propósito da quinta edição do ciclo "Tratar o Cancro por Tu", que começa na terça-feira e se prolonga até 12 de março, levando cientistas e especialistas a "tornar a linguagem tão acessível quanto possível" em sessões em Matosinhos, Guarda, Évora, Viana do Castelo, Guimarães e Angra do Heroísmo.
"Aquela pergunta de quando virá a cura do cancro é um disparate. O que vai aparecer são cada vez mais situações que conseguimos controlar, mas cada doente e cada cancro têm uma especificidade. Não é a mesma coisa do que uma vacina", notou.
O esforço, explicou, "é sempre no sentido de tornar a pessoa mais consciente do que significa [a doença], do que pode fazer, em que pode mudar a sua alimentação, em que medida temos que transformar, tanto quanto possível, o cancro numa doença que é uma doença crónica".
"Felizmente, dois terços das pessoas que têm cancro já não morrem de cancro. Portanto, é um resultado muito bom", descreveu o anfitrião da iniciativa.
Por outro lado, embora a palavra cancro continue "a ter uma ressonância em Portugal muito assustadora", 70% das pessoas com cancro da mama "já não morrem de cancro da mama".
Na iniciativa "Tratar o Cancro por Tu", pretende-se, por isso, falar sobre "muitas doenças a que as pessoas chamam cancro" mas que pode ser tratada, "que vai ficar bem, que pode ficar curada ou, se não for curada, vai ser controlada".
Sobrinho Simões alerta que apenas se conseguem antecipar 40% dos casos de cancro com rastreio e, quanto aos restantes 60% dos casos, cada vez mais vão aparecer situações que se conseguem controlar.
Outra coisa "em que se melhorou muito foi no rastreio", mas a maior parte dos cancros (90%) "não são herdados dos pais".
"O cancro é uma doença genética, porque as células malignas têm alterações genéticas, mas na grande maioria dos casos não têm a ver com a pessoa, no sentido de herdarem essas alterações dos pais", destacou.
Em causa estão, por exemplo, "alterações genéticas secundárias de fumar", já que "o tabaco induz mutações genéticas, mas não é hereditário".
Com 24 sessões realizadas que juntaram mais de 3.500 participantes em 15 cidades, o Ipatimup arranca agora com uma nova edição de "Tratar o Cancro por Tu", com os temas a centrarem-se na prevenção, deteção precoce e no tratamento de cancro.
A sessão inaugural, em Matosinhos, no distrito do Porto, conta com a presença da diretora da Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro (IARC), Elisabete Weiderpass, para quem a Europa "continua a enfrentar grandes desafios em termos de ocorrência de novos casos de cancro".
A responsável observa, num comunicado do Ipatimup, que, "ao falar diretamente com os cidadãos com clareza, empatia e verdade", a iniciativa é essencial "para quebrar tabus e promover o acesso à informação, contribuindo para uma estratégia mais eficaz de prevenção e controlo do cancro".
Em Matosinhos, o ciclo vai abordar a "Deteção precoce: o impacto dos rastreios oncológicos".
A 22 de janeiro, a Guarda recebe "Medicina oncológica de precisão: medicamentos inovadores e como ter acesso a estes medicamentos".
Évora acolhe, a 12 de fevereiro, "O papel da hereditariedade: a importância da história familiar e os estudos genéticos", enquanto Viana do Castelo recebe, a 19 de fevereiro, "Ambiente, comportamento e cancro: compreender para prevenir" e Guimarães fala, a 05 de março, sobre "Diagnóstico de cancro: da biópsia à decisão clínica".
A 12 de março, em Angra do Heroísmo, aborda-se a "Prevenção de cancro: principais fatores de risco".
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