Camponeses moçambicanos que produção está quase perdida devido a cheias
- 22/01/2026
"Quase toda a produção está perdida, falo dos camponeses que estão na província de Gaza (...). A província de Maputo está quase toda arrasada e Manica também está a sofrer danos. A situação está extremamente complicada e os índices de produção agrária neste ano para a região sul estão comprometidos", disse à Lusa o coordenador executivo da União Nacional dos Camponeses de Moçambique, Luís Muchanga.
O responsável apontou para maiores danos nos distritos de Chókwè, Chicualacuala, Mapai e Guijá, Chibuto e Manjacaze, na província de Gaza, sul do país, indicando que as cheias vão reduzir a quantidade de armazenamento alimentar dos agricultores, causando insegurança alimentar.
"A situação está caótica e extremamente preocupante para o campesinato e para os indicadores de segurança alimentar no país no que diz respeito à capacidade de stock alimentar (...) é verdade que houve um anúncio prévio sobre essa situação, mas nunca foi imaginada a magnitude do que estamos a ver hoje", disse Luís Muchanga.
Para além dos campos agrícolas devastados, a união dos camponeses alertou também para as consequências no setor pecuário, com diverso gado arrastado pelas águas, indicando que, sem financiamento, estes produtores vão levar tempo para recuperar dos impactos.
O registo do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) aponta para 166.301 hectares de área agrícola afetados, dos quais 74.769 hectares dados como perdidos na atual época das chuvas, desde outubro, e especialmente nas últimas semanas, afetando 112.606 agricultores, além da morte de 61.627 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.
A União Nacional dos Camponeses assume também que as inundações afetaram os campos agrícolas com o arrastamento dos solos, comprometendo a sua capacidade de gerar alimentos.
Para Muchanga, este cenário é agravado pelo facto de a maioria dos camponeses não ter seguro agrário nem para calamidades.
"Não temos camponeses que tenham seguro agrário no que concerne à questão de calamidades como cheias. O que acontece é que cada um se vira. Infelizmente essa é a realidade que temos. No país, as políticas públicas não são tão proativas nesse sentido. Então, não conheço nenhum camponês que tenha seguro agrário; provavelmente os grandes produtores têm", disse o coordenador executivo da organização.
Para evitar maiores danos nas próximas épocas chuvosas, a organização pede uma aposta num sistema de aviso prévio face às inundações, incluindo melhorias na circulação de informação, para além da construção de mais diques de retenção das águas para reduzir o seu impacto sobre os campos agrícolas.
"Precisamos de discutir melhor com os países a montante sobre os mecanismos de gestão das barragens, acho que era preciso um diálogo um pouco mais profundo sobre como gerirmos esses recursos que são partilhados (...). Os que estão a montante poderiam discutir connosco a jusante, sobre como podemos gerir e criação de melhores mecanismos de barrar a corrente para suavizar danos", concluiu Muchanga.
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