Camponeses em fuga por receio de supostos terroristas em Cabo Delgado
- 31/01/2026
Os movimentos, segundo os camponeses, registam-se desde 18 de janeiro, entre as zonas produtivas de Mahate e Tandanhangue, Quissanga e Walopwana, Pulo, Sauli e Nampipi, Metuge, levando à sua fuga.
"Fugimos porque o movimento é intenso. Desde semana antepassada, os terroristas estão a passar nas nossas machambas [campos agrícolas]", disse uma fonte, em fuga, a partir de Walopwana, Metuge.
Segundo a fonte, a situação provocou o pânico e medo, levando os camponeses a deixarem as suas culturas precisamente num período crucial atual, que é de colheita.
"Deixei tudo para trás. Já estive a comer abóbora e verduras da minha machamba, mas a presença dos rebeldes é de ter medo", admitiu.
Na fuga, alguns camponeses de Mahate, em Quissanga, referem que preferem ir para o distrito de Metuge por medo de supostos terroristas ao longo da via.
"Tenho medo de rebeldes que circulam muito lá", disse outra fonte, a partir de Sauli.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
A organização ACLED estimou anteriormente que a província moçambicana de Cabo Delgado registou seis eventos violentos em duas semanas, envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram pelo menos três mortos, elevando para 6.432 os óbitos desde 2017.
De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 12 a 25 de janeiro, dos 2.310 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.146 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
Estes ataques provocaram em oito anos e meio 6.432 mortos, refere no novo balanço, incluindo as três vítimas reportadas neste período de menos de duas semanas.
No relatório é sublinhado que o EIM, neste período em análise, "realizou um raro ataque com morteiros contra posições ruandesas em Macomia", entre "confrontos contínuos" com as forças do Ruanda, que apoiam os militares moçambicanos no combate aos grupos insurgentes na província de Cabo Delgado.
"O grupo também se tem concentrado no reabastecimento das suas forças durante a difícil estação chuvosa, particularmente no litoral, onde mantém certa liberdade de movimento por barco. Em outros locais, um ataque a uma mina de ouro em Niassa, juntamente com ações de um grupo criminoso em Metuge que se fez passar por insurgentes, ilustram o ambiente cada vez mais complexo em que as forças de segurança precisam de operar", aponta o relatório da ACLED.
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