Campanha com mais de 700 criativos lança apelo a empresas de IA
- 22/01/2026
Um grupo composto por mais de 700 artistas e criativos - entre os quais se encontram nomes como a atriz Scarlett Johannsson, a banda R.E.M. e o argumentista/produtor Vince Gilligan - lançou uma campanha onde exige que as empresas tecnológicas parem de roubar o seu trabalho para treinar modelos de Inteligência Artificial.
No site oficial da campanha intitulada “Stealing Isn’t Innovation” (Roubo Não É Inovação, em português) é exigido que as empresas tecnológicas adotem “o percurso responsável e ético” e comecem a licenciar e estabelecer parcerias para treinarem Inteligência Artificial.
Os responsáveis pela campanha apontam ainda que a “apropriação ilegal de propriedade intelectual” resultou num ecossistema onde existe “desinformação, ‘deepfakes’ [vídeos manipulados] e uma avalanche insípida de conteúdo de baixa qualidade”.
“A comunidade criativa dos EUA é a inveja do mundo e cria emprego, crescimento económico e exportação”, pode ler-se no site da campanha. “Mas, ao invés de respeitar e proteger este ativo valioso, algumas das maiores empresas tecnológicas, muitas apoiadas por capital privado e outros financiadores, estão a usar o trabalho dos criadores americanos para construírem plataformas de Inteligência Artificial sem a autorização de acordo com a lei dos direitos de autor”.
Assim, o grupo alega que está ameaçada não só “a superioridade americana em Inteligência Artificial como também a competitividade [num cenário] internacional”.
É importante sublinhar que os últimos anos têm sido marcados por uma forte contestação dos meios artísticos em relação à forma como as empresas tecnológicas se apropriam do trabalho alheio para treinarem Inteligência Artificial.
Scarlett Johansson contra OpenAI
Uma das artistas presentes neste grupo, Scarlett Johansson, chegou mesmo a ter um ‘embate’ público com a OpenAI e o seu CEO, Sam Altman.
O caso deu-se em 2024, quando a OpenAI disponibilizou uma série de vozes para o ChatGPT, com uma delas (de nome Sky) a ter semelhanças com a da atriz norte-americana - conhecida por ter dado voz a uma assistente digital de Inteligência Artificial no filme “Her” de 2013.
Scarlett Johansson contou que a OpenAI chegou a contactá-la para saber se podia contribuir com a sua voz para o ChatGPT mas, mesmo que a atriz tenha recusado, a empresa terá decidido seguir em frente. Com a polémica instalada e com a atriz a ter contactado advogados para tratar do caso, a empresa tecnológica decidiu remover a Sky da seleção de vozes do ChatGPT.
Johansson chegou mesmo a falar sobre o assunto numa entrevista com o The New York Times, notando que Sam Altman dava um bom vilão de filmes da Marvel. “Acho que dava sim - talvez com um braço robótico”, declarou Johansson na altura.
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