Bruno Pernadas edita esta semana álbum "de transição" "unlike,maybe"
- 11/02/2026
Depois de "Private Reasons", editado em 2021 e que encerra uma trilogia, Bruno Pernadas apresenta "um disco de transição".
"Ainda não estou a conseguir concretizar aquilo que queria, mas este é um passo necessário para que isso aconteça no futuro", afirmou, em entrevista à agência Lusa, a propósito de "unlike, maybe", a ser editado na sexta-feira.
O processo de criação do álbum serviu para o músico se tentar "desvincular de certas coisas que podem ser consideradas vícios de recursos e ferramentas", algo que "não é assim um processo tão imediato", por estar dentro de si.
As gravações dividiram-se entre Lisboa, onde o músico vive, e o Porto. Na 'cidade invicta', os músicos passaram alguns dias na mesma casa "e esse processo foi colaborativo".
"Já aconteceu mais [neste disco], mas eu quero que aconteça só isso, no futuro, só mesmo isso. Nem é preciso haver demos. Às vezes não tenho demos, meto tudo em pautas", afirmou.
O processo colaborativo permitiu a Bruno Pernadas aproximar-se mais da linguagem que para ele "é mais próxima do jazz, ideia que foi deixada pelas tendências do Sun Ra, Don Cherry, Alice Coltrane, Art Ensemble of Chicago, The Last Poets -- que não é bem jazz, mas está próximo".
"Queria aproximar-me dessa linguagem, com que tenho muita relação e que não aconteceu nos outros discos. Mesmo no meu disco de jazz 'worst summer ever' [de 2016 e que abriu a trilogia] essa forma de pensar assim não foi concretizada. Neste disco ['unlike, maybe'] já existe parcialmente", disse.
O novo álbum conta com a participação dos músicos Margarida Campelo, António Quintino, João Correia, Diogo Alexandre, José Soares, Teresa Costa, Jéssica Pina e Eduardo Lála. Margarida Campelo também canta, e à sua voz juntam-se as das convidadas Leonor Arnaut, Lívia Nestrovski e Maya Blandy.
Alguns já fazem parte do grupo que o acompanhou em trabalhos anteriores, para outros foi uma estreia.
"É como se fosse um elenco. No cinema há muitos realizadores que têm um elenco fixo, mas às vezes é preciso outro tipo de abordagem ao objeto artístico e fazem colaborações", referiu.
Além de tocar, Bruno Pernadas é compositor, autor e produtor de "unlike, maybe", partilhando apenas a autoria de uma das letras com Rita Westwood.
Quando vai com os músicos para estúdio, "as coisas vão mais ou menos pensadas". "Há secções que deixo em aberto para os improvisos, a pensar nos músicos que vão gravar. Já sei como é que as pessoas reagem e há certas coisas são feitas a pensar nessa pessoa. Há outras melodias e coisas que faço para as pessoas que convido a participar em determinadas músicas", partilhou.
Além das gravações em estúdio, Bruno Pernadas incorpora nos álbuns também gravações feitas em casa, durante o dia e sem isolamento acústico.
"Gravo sempre coisas em casa. No primeiro regravei, mas depois deixei-me de isso, os sons não estão maus, é uma perspetiva clínica, cirúrgica de as pessoas ouvirem a música. Não está mal, é assim que ficou", disse.
"unlike, maybe", composto por nove temas, é apresentado ao vivo em 19 e 20 de fevereiro na Culturgest, em Lisboa, e em 21 de fevereiro no Auditório de Espinho.
Já só há bilhetes para o concerto de 20 de fevereiro.
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