Brilhante Dias acusa almirante de "falsificação da história" sobre Seguro
- 15/01/2026
"Em política não vale tudo e muito menos a falsificação da história. Eu percebo que há um contexto eleitoral que não está a correr bem ao candidato Gouveia e Melo, mas não vale tudo. Isso é uma absoluta falsificação da história", acusou, em declarações à agência Lusa, Eurico Brilhante Dias.
De acordo com o líder parlamentar do PS, "se houve personalidade que, ao longo daquele período difícil, foi contra os cortes salariais e de pensões, foi António José Seguro".
"Lembro-me bem, desde o momento zero, o combate essencial foi não haver mais cortes e, mais do que isso, não tornar aqueles que eram temporários em permanentes. E só a tenacidade, o esforço, o sentido de Estado do Dr. António José Seguro é que impediu que isso acontecesse", referiu.
Eurico Brilhante Dias referiu que foi "um ator que teve a possibilidade de presenciar de perto esse período da história, quando o PS era oposição e uma oposição minoritária no parlamento" e Seguro se opôs a esses cortes.
"Foi assim na discussão do Orçamento de 2012, de 2013 e de 2014, e devo dizer que, se não fosse a tenacidade do doutor António José Seguro, se calhar, tinha havido um acordo para um corte permanente de salários e de pensões, que era aquilo que, então a coligação PSD-CDS com a troika queriam fazer, inclusive na discussão, em 2013, na senda da proposta do senhor Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, para um acordo, então, dito de salvação nacional", disse.
Gouveia e Melo tem que "perceber que em política não vale tudo e que o ambiente eleitoral não justifica tudo".
"A falsificação da história não é um argumento eleitoral, aliás, a falsificação da história só contribui para degradar o ambiente político e para degradar as instituições", condenou.
O candidato presidencial Gouveia e Melo associou hoje o seu adversário António José Seguro ao corte do valor das pensões no período da "troika" e prometeu que, se for eleito, vetará qualquer decreto nesse sentido.
"Comigo não vai passar nenhum decreto-lei, nem nada, que comprometa as pensões das pessoas mais velhas", declarou o ex-chefe do Estado-Maior da Armada aos jornalistas.
Numa alusão ao período de assistência financeira a Portugal (2011/2014) -- altura em que António José Seguro desempenhou as funções de secretário-geral do PS e em que o Governo PSD/CDS de Passos Coelho tinha maioria absoluta no parlamento -, Gouveia e Melo considerou que "há coisas que os políticos não podem aceitar", porque "são indignas", como o corte do valor das pensões.
"Pessoas que já não tinham capacidade de resistir, foram-lhes cortadas pensões. Esse corte foi apoiado por alguém que é da esquerda e não necessitava sequer de apoiar, porque havia uma maioria [PSD/CDS] na Assembleia da República. Comigo isso nunca vai acontecer", declarou.














