Bombeiro de Campo Maior morre durante ação de patrulhamento
- 07/02/2026
Um bombeiro voluntário da corporação de Campo Maior morreu, na tarde deste sábado, por volta das 13h30, enquanto estava de serviço. A morte foi confirmada ao Notícias ao Minuto por fonte do Comando Nacional da Proteção Civil, que adiantou que, na altura, o homem estava a fazer uma ação de patrulhamento, reconhecimento e vigilância, no âmbito das ocorrências do mau tempo, também em Campo Maior, distrito de Portalegre.
Para já, a causa da morte ainda não foi determinada com certeza. Contudo, segundo a Rádio Elvas, o bombeiro estaria a tentar atravessar a pé uma zona alagada quando caiu numa zona mais profunda, ficando completamente submerso.
O bombeiro estaria numa missão de auxílio a famílias isoladas à mais de 48 horas devido à subida do nível da água do rio Caia.
O mesmo meio diz que os companheiros, assim como a VMER e a Guarda Nacional Republicana (GNR) intervieram rapidamente, mas que o óbito foi declarado ainda no local.
O Notícias ao Minuto sabe ainda que o bombeiro voluntário era também militar da GNR.
Fonte da GNR contactada pela Lusa limitou-se a acrescentar que a vítima mortal tem 46 anos e é militar da Guarda no Posto Territorial de Campo Maior, não possuindo mais informações de momento.
Bombeiros "em baixo"
Contactado pela Lusa, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Campo Maior, Pedro Tomé, lamentou hoje a morte do bombeiro da sua corporação, sublinhando que o pessoal ficou "em baixo", com o ocorrido.
Pedro Tomé explicou que a morte deste bombeiro ocorreu no desenrolar de uma ação de patrulhamento e vigilância devido ao mau tempo, "e algo se passou, [ele] sentiu-se mal, algo deste género, e entrou numa linha de água".
O comandante revelou ainda que, na sequência desta situação, já deu entrada na corporação uma equipa de psicólogos que vai acompanhar os restantes elementos da corporação.
"Momento de dor e consternação"
A ANEPC emitiu uma nota de pesar nas suas redes sociais, indicando que a operação de patrulhamento, reconhecimento e vigilância em que o bombeiro estava envolvido decorria na Estrada Nacional 373, numa zona de confluência com o rio Caia, em Campo Maior.
"Endereçamos as nossas mais sentidas condolências à família, aos amigos, ao corpo de Bombeiros Voluntários de Campo Maior e a todos os bombeiros e agentes de proteção civil empenhados nas operações de proteção e socorro, no âmbito das condições meteorológicas adversas que afetam Portugal continental", lê-se na nota.
"Neste momento de dor e consternação, a ANEPC deixa uma palavra de profunda gratidão a todos os homens e mulheres que, com coragem e sentido de missão, colocam a sua vida em risco para proteger a vida e os bens dos seus concidadãos", acrescentam.
Mau tempo já provocou 14 mortos. O que sabe até agora?
O bombeiro é a primeira vítima conhecida da tempestade Marta - a quinta depressão a assolar Portugal desde o início do ano - e a 14.ª vítima do mau tempo no país.
Até agora, os óbitos registados foram civis, com quedas de telhados a representar a maioria das causas da morte.
A primeira vítima foi um homem de 45 anos, que estava dentro da viatura, em Povos, Vila Franca de Xira, quando uma árvore caiu sobre si, causando a sua morte imediata, segundo as autoridades. O incidente ocorreu na madrugada de 28 de janeiro, durante a depressão Kristin.
A essa morte, vieram a somar-se outras quatro ao longo do dia: três delas ocorreram em Leiria, a região mais afetada pela Kristin.
Uma das vítimas foi atingida por uma chapa metálica, em Carvide, e outra ficou presa na estrutura da habitação na mesma localidade. A última vítima registada em Leiria foi encontrada numa obra em Fonte Oleiro em paragem respiratória.
No dia 28, foi ainda contabilizada uma outra vítima mortal: uma cidadã dos Países Baixos de 85 anos. A idosa seguia dentro do carro, em Silves, Faro, quando foi arrastada por um curso de água, que tinha transbordado para a estrada devido à chuva intensa.
Já durante a tarde deste mesmo dia, a autarquia da Marinha Grande deu conta de ainda uma outra vítima mortal - esta não confirmada pela ANEPC. Tratava-se de um homem de 34 anos.
A 31 de janeiro, dois homens caíram de telhados, que tentavam reparar. Um deles de 73 anos, na Batalha e outro, de 66 anos, em Alcobaça - ambos em Leiria.
No dia seguinte, a 1 de fevereiro, a falta de eletricidade, causada pela queda de inúmeros postes da rede elétrica, fazia a sua nona vítima. Um homem de 74 anos morreu de intoxicação de monóxido de carbono devido a um gerador que usava para ter luz em casa. Aconteceu em Segodim, também em Leiria.
Em Porto de Mós, Leiria, a 2 de Fevereiro, registou-se a décima vítima. Um homem de 63 anos, que também caiu de um telhado que tentava reparar.
A 4 de fevereiro Um homem com cerca de 70 anos morreu quando tentava atravessar um troço de uma estrada que estava submersa, no concelho de Serpa, distrito de Beja. O idoso foi a primeira e única vítima direta da depressão Leonardo.
No dia 5 morreu um homem de 72 anos depois de cair de um telhado que estaria a arranjar em Palhais, na Sertã e, no dia seguinte, a 6 de fevereiro, morreu um outro, de 73 anos, na mesma situação em Ortigosa, concelho de Leiria.
Hoje, 7 de fevereiro, regista-se então a morte deste bombeiro voluntário e militar da GNR, de 46 anos.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
[Notícia atualizada às 17h22]
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