Bill e Hillary Clinton recusam depor em investigação sobre Epstein
- 13/01/2026
Os Clinton consideraram "legalmente inválidas" as tentativas de um comité controlado pelos republicanos, numa altura em que legisladores do Partido Republicano preparam processos por desacato ao Congresso contra o casal.
Numa carta divulgada nas redes sociais, os Clinton escreveram ao presidente da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, o deputado republicano James Comer, que este enfrenta um processo "literalmente concebido para resultar na prisão" do casal.
"Cada pessoa tem de decidir quando já viu ou teve o suficiente e quando está preparada para lutar por este país, os seus princípios e o seu povo, independentemente das consequências. Para nós, o momento é agora", acrescentaram Bill e Hillary.
"As decisões que tomou e as prioridades que estabeleceu como presidente relativamente à investigação sobre Epstein impediram o avanço no apuramento dos factos sobre o papel do Governo", criticaram os Clinton na missiva.
Os Clinton acusaram o republicano de ter tentado desviar a atenção dos vínculos do atual Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com Epstein, para a concentrar, em alternativa, em democratas que também tiveram relações com este.
Jeffrey Epstein suicidou-se em 2019 numa prisão enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores.
Comer afirmou que vai iniciar os procedimentos por desacato ao Congresso na próxima semana, o que poderá dar início a um processo complexo e politicamente delicado a que este órgão raramente recorreu.
O líder do órgão responsável por fiscalizar o Governo e exigir documentos oficiais, a partir do qual os democratas divulgaram imagens e documentos relacionados com Epstein e a companheira e cúmplice, Ghislaine Maxwell, antes de a lei ser aprovada por ambas as câmaras, obriga o Departamento de Justiça a tornar públicos todos os documentos não classificados relacionados com o caso.
"Ninguém está a acusar os Clinton de qualquer irregularidade. Temos apenas perguntas", referiu Comer aos jornalistas depois de Bill Clinton não ter comparecido, esta manhã (hora local), a um depoimento previamente agendado em instalações da Câmara.
"Qualquer pessoa admitiria que passaram muito tempo juntos", sublinhou Comer.
Apesar de a lei estabelecer como prazo para a divulgação dos documentos não classificados o passado dia 19 de dezembro, o Departamento de Justiça publicou apenas parte dos arquivos, alegando que a quantidade de informação era demasiado elevada. Alguns dias depois, garantiu ter recebido mais um milhão de novos documentos relacionados com o caso.
Entre os ficheiros que se tornaram públicos contam-se os relativos a Bill Clinton, que manteve uma relação social com Epstein, tendo viajado várias vezes no avião para eventos da Fundação Clinton, mas que nega ter tido conhecimento dos crimes ou ter estado na ilha de Epstein.
Clinton nunca foi acusado de irregularidades relacionadas com Epstein, mas manteve, ao longo dos anos 1990 e do início dos anos 2000, uma amizade bem documentada com o empresário e lobista.
Os republicanos têm centrado a atenção nessa relação ao tentarem assumir o controlo das exigências para um esclarecimento completo dos crimes de Epstein.
Vários antigos presidentes depuseram voluntariamente perante o Congresso, mas nenhum foi obrigado a fazê-lo.
Comer indicou ainda que a comissão não tentará obrigar Donald Trump, também republicano, a depor, afirmando que não pode forçar um chefe de Estado em funções a prestar testemunho.
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