'Besta negra' do Benfica apareceu em Leiria e deu pelo nome de Zalazar
- 08/01/2026
O SC Braga tornou-se, esta quarta-feira, no segundo finalista da Taça da Liga, após vencer, por 3-1, o Benfica, no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria.
Numa exibição de enorme personalidade, eficácia e maturidade competitiva, os comandados de Carlos Vicens foram mais fortes nos momentos decisivos, com dois golos de vantagem (2-0) no final da primeira parte, apontados por Pau Victor (19') e Rodrigo Zalazar (33').
A etapa complementar reservou uma formação encarnada emotiva à procura do empate a todo o custo. O jogo foi relançado aos 64', quando Pavlidis cobrou com sucesso uma grande penalidade. O jogo ficou em aberto e a defesa encarnada abriu espaços, que podiam ter sido melhores aproveitados.
Aos 81', a bola parada fez a diferença. Na sequência de um livre, após desvio e defesa de Trubin, o defesa-central Gustaf Lagerbielke apareceu oportuno para empurrar a bola para o fundo das redes, selando o triunfo arsenalista. Já perto do final, aos 89', Otamendi foi expulso por acumulação de cartões amarelos.
O Sporting de Braga colocou um ponto final na invencibilidade do Benfica no plano interno e marcou encontro com o Vitória SC numa final inédita da Taça da Liga. Os bracarenses vão à procura do troféu na competição, ao passo que os vimaranenses desejarão a primeira.
Vamos então às notas da partida
Figura
Que jogo de Rodrigo Zalazar. Há muito tempo que é um jogador acima da realidade em que está, sendo que a saída do médio poderá acontecer num futuro próximo. Na presente temporada, tem aparecido a grande nível em jogos de grande dimensão. O Benfica tem sido um dos adversários preferidos. Já tinha marcado de grande penalidade há dez dias, para o campeonato (2-2). Na Taça da Liga, fez uma jogada digna dos génios. Partiu da linha divisória do meio-campo até à grande área, e marcou. Não é de esquecer a assistência para o golo inaugural do encontro, apontado por Pau Victor.
Surpresa
Pau Victor voltou a deixar uma 'bicada' nas águias, à semelhança do que aconteceu no campeonato. Contratado no último verão, oriundo do Barcelona, o avançado espanhol, de 24 anos, está a crescer em maturidade e confiança. O golo inaugural do encontro demonstrou as suas melhores qualidades, com receção orientada e finalização de grande nível na cara de Trubin.
Desilusão
Péssima impressão de Otamendi em Leiria. O experiente defesa-central, de 37 anos, foi um rostos da desorganização da linha defensiva encarnada. Nunca soube encontrar resposta para travar Rodrigo Zalazar, que fez o quis do campeão do Mundo pela Argentina, em 2022, no lance do 0-2. Perto do minuto 90, aos 89', perdeu a cabeça com os protestos junto da equipa de arbitragem. O capitão nunca pode ser o primeiro a abandonar o barco, sobretudo quando vem aí o FC Porto, no Dragão, para a Taça de Portugal.
Os treinadores
Carlos Vicens
Trabalho de autor na primeira parte, limitando uma vez mais a produção ofensiva do Benfica. O coletivo não abdicou dos seus princípios, sempre a sair a jogar de forma apoiada, com muita movimentação dos homens da frente, colocando sérias dificuldades de marcação ao adversário. Na segunda parte, a reação encarnada empurrou os bracarenses para o seu meio-campo, mas não houve pânico em qualquer momento. Será a primeira final do técnico espanhol, antigo adjunto de Pep Guardiola no Manchester City.
José Mourinho
A reação ao jogo não podia ter sido mais clara, utilizando a palavra "horrível" para descrever o comportamento da equipa, nomeadamente na primeira parte. O Benfica até teve a primeira oportunidade de jogo, ao minuto 4, mas depois caiu a pique. A mentalidade competitiva voltou a estar em causa, comprovado pelo segundo golo sofrido, quando Sudakov e Otamendi hesitaram em fazer falta. Sem verticalidade e capacidade de rasgo nos corredores, o coletivo depende muito das ações de Pavlidis, que tem de baixar no terreno para ligar o jogo. É muito pouco. Vida difícil para o 'Special One', responsável por perder o segundo troféu da temporada.
O árbitro
João Pinheiro começou o jogo com um erro de análise, assinalando uma grande penalidade, quando a falta de Otamendi sobre Rodrigo Zalazar foi fora da área. A intervenção do VAR foi decisiva. A partir de então, geriu com tranquilidade as incidências da partida e não hesitou em marcar, agora sim, penálti a favor do Benfica no decorrer da segunda parte. 'Perdoou' um vermelho direto a Prestianni, do Benfica, por entrada grosseira sobre um adversário. A expulsão de Otamendi foi justificada pelo excesso nos protestos do capitão encarnado.
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