Benfica está 'Trubinado' e não lhe falta nada... nem um apuramento épico
- 29/01/2026
Épico, incrível, loucura, irrepetível, inesquecível, inolvidável. Os adeptos do Benfica ainda devem estar a procurar o melhor adjetivo para descrever o que aconteceu no Estádio da Luz na noite de quarta-feira. A missão era simples: vencer o Real Madrid. Além de precisar de vencer, o conjunto lisboeta necessitava de um milagre e de uma conjugação de resultados de terceiros para agarrar o passaporte para o playoff da Liga dos Campeões.
O que se escreveu na Luz foi digno de cinema, com um final de jogo que, provavelmente, nem o mestre cinematográfico Alfred Hitchcock conseguiria prever. O Benfica apurou-se de forma heroica para o playoff no 24.º lugar da fase de liga, o último possível, mercê de uma vitória, por 4-2, sobre o colosso Real Madrid.
Com todos os restantes jogos já terminados, e a um golo do apuramento, Trubin subiu à área contrária ao minuto 90+8' para escrever uma página brilhante na história do clube da Luz. Contra um Real Madrid com menos dois jogadores, Aursnes assumiu a cobrança de um livre e, ao cair do pano, Trubin, em modo avançado, voou de cabeça para assinar um momento que os encarnados não mais vão esquecer.
É certo que o clímax desta partida aconteceu no último lance do jogo, mas, até lá, o Benfica já produzira futebol suficiente para justificar um amplo triunfo sobre os merengues, que acabaram por cair dos lugares de apuramento direto para os oitavos de final à conta não só desta derrota, como do triunfo ao cair do pano do Sporting na casa do Athletic Bilbao.
Naquela que foi a melhor exibição da temporada, o Benfica foi agressivo desde o primeiro minuto e... também falhou muitos golos, através, de, por exemplo, Sudakov, Barreiro ou Pavlidis, uma prerrogativa que se tem repetido em alguns jogos. O golo de Mbappé lançou nervosismo na Luz, mas a supremacia encarnada na reta final da etapa inicial trouxe frutos.
Uma dupla escorregadela de Asencio permitiu a Pavlidis tirar um cruzamento para o golo de Schjelderup. Em cima do apito para o intervalo, Tchouámeni fez falta sobre Otamendi na área e Pavlidis colocou o Benfica na liderança, uma vantagem que ainda não chegava para o apuramento. O segundo tempo arrancou com o bis de Schjelderup e na Luz começavam a sonhar com o playoff. Mas o bis de Mbappé voltou a afastar um pouco mais o tal milagre.
Depois de Schjelderup não ter conseguido bater Courtois em mais duas ocasiões, os adeptos do Real Madrid até já pareciam festejar o apuramento direto. No entanto, o golo do Sporting em Bilbau foi o primeiro de dois murros no estômago para os espanhóis nesta reta final.
As expulsões de Asencio e Rodrygo complicaram ainda mais a vida aos merengues... até que surgiu o momento mais louco da noite. Trubin acabou por turbinar os adeptos das águias e fazer explodir o vulcão da Luz. Ana Malhoa diz numa das suas música que está turbinada. Ora, Anatoliy 'Trubinou' mesmo o Benfica numa noite com final apoteótico.
O futuro pode trazer de novo o Real Madrid à Luz. É que o sorteio do playoff, que acontece na sexta-feira, coloca o Internazionale e os merengues no caminho dos lisboetas. E o carimbo para os oitavos de final pode trazer... um dérbi com o Sporting.
Mas vamos às notas desta partida:
Figura
Anatoly Trubin é o rosto do milagre desta vitória épica do Benfica. Até ao momento da noite, o guarda-redes ucraniano protagonizou quatro grandes defesas que foram mantendo o Benfica ligado à corrente até ao fim. Depois, e quando a equipa mais precisava dele, subiu à área contrária para, à ponta de lança, atirar de cabeça para o golo que carimba um final de encontro digno de cinema. Um instante que deixará o guardião como uma lenda na Luz.
Surpresa
Mal-amado por uns, adorado por outros, Andreas Schjelderup foi outra das grandes figuras da partida. Apontado à saída para o Club Brugge, o jovem norueguês pode ter garantido a sua continuidade em Lisboa com esta exibição. Bisou pela primeira vez com a camisola do Benfica e até podia ter saído do encontro com mais dois golos apontados.
Desilusão
Franco Mastantuono foi 'engolido' pelos defesas encarnados, nomeadamente pelo sueco Samuel Dahl, que se exibiu a bom nível nesta partida. É, a par de Guler, um dos fantasistas do Real Madrid, mas o argentino esteve longe de apresentar um bom nível e até pareceu algo nervoso enquanto esteve em campo.
Treinadores
José Mourinho
Se há coisa que Mourinho já provou na carreira de treinador é que consegue preparar bem estes jogos de dificuldade mais elevada. E o triunfo heroico contra o Real Madrid comprova-o. A Luz viu um Benfica bem fiel ao estilo do setubalense: uma equipa séria, agressiva e que deixou a alma em cada duelo. O Benfica foi dominante desde o primeiro minuto e alcançou a glória europeia com um final de jogo louco e inesperado. A solução para a vitória esteve nos níveis de pressão altos e elevados, que baralharam a estratégia do Real Madrid, e numa verticalidade preconizada por Schjelderup e Prestianni. Um triunfo que pode galvanizar a equipa para a segunda metade da época.
Álvaro Arbeloa
O mestre levou a melhor do que o aprendiz. Depois da derrota no jogo de estreia diante do Albacete, Arbeloa levava três vitórias seguidas e o Real Madrid estava para este encontro em terceiro na fase de liga. Mas o efeito merengue que vinha reaparecendo nos últimos jogos, como os espanhóis fizeram questão de relembrar nos últimos dias, acabou por não se sentir na Luz. Os golos de Mbappé de nada valeram para travar uma vitória épica do clube português. A ver vamos como reagem a esta derrota.
Arbitragem
Bom trabalho da equipa liderada por Davide Massa. O árbitro italiano esteve bem no recurso ao VAR para anular a primeira grande penalidade sobre Prestianni e confirmar a que deu origem ao jogo de Pavlidis. Soube gerir um jogo que se tornou de emoções fortes. Bem ao expulsar os dois jogadores do Real Madrid no fim.














