BE considera inaceitável não serem mobilizados recursos europeus
- 04/02/2026
Na Marinha Grande, distrito de Leiria, onde hoje visitou as populações afetadas pelas tempestades, José Manuel Pureza defendeu uma "rápida mobilização de todos os recursos que a União Europeia põe ao serviço do nosso país para este tipo de efeitos", considerando que "não é aceitável que, por razões burocráticas ou por incúria", esses recursos não sejam mobilizados.
O coordenador do BE defendeu igualmente "uma presença forte por parte de entidades que fiscalizam margens de comercialização, para evitar que a aflição dê lugar à especulação", algo "não só condenável do ponto de vista moral", como "absolutamente inaceitável".
O bloquista apelou a "uma urgente definição por parte do Governo, de mecanismos financeiros e operacionais para a reconstrução do tecido produtivo que em zonas como a da Marinha Grande".
Em declarações à agência Lusa, no final de uma reunião com o presidente da autarquia, Paulo Vicente, José Manuel Pureza sustentou que "os apoios governamentais tardam, apesar de já terem sido aprovados" e criticou a falta de definição relativamente aos "apoios para a reconstrução de infraestruturas, de capacidade produtiva, de cadeias de distribuição".
Para o coordenador do BE, "a realidade que se vive na Marinha Grande é a expressão de uma calamidade que se abateu sobre as infraestruturas, sobre a comunidade, sobre o território e sobre muitas pessoas, que têm as suas vidas completamente em suspenso".
Da conversa com o autarca e a sua equipa Pureza retirou que "o que está funcionar para aliviar a desgraça das pessoas é, acima de tudo, o trabalho solidário, a entrega solidária por parte de gente desinteressada, que entrega aquilo que tem, aquilo que pode para minorar o sofrimento de muita gente".
Mas para o BE, "o Governo não está a cumprir a sua parte e isso merece uma crítica muito severa da nossa parte".
Numa altura em que "a Kristin passou e o Leonardo está a chegar avizinham-se momentos que podem ser muito complicados", que para a região quer para todo o país, alertou para vincar que "é muito importante que o Governo tome decisões".
Nomeadamente no que respeita "aos trabalhadores que têm horários que podem coincidir com os picos de cheia ou com os picos de catástrofe climática" e que considera que devem ter agora um regime similar ao implementado durante a pandemia de covid-19.
"Sem alarmismo, mas com muito realismo e com muita determinação, o Governo tem que criar condições para que, havendo não só cheias, mas picos de mau tempo que possam pôr em perigo a vida de pessoas, todas essas vidas sejam salvaguardadas", bem como o seu sustento material, concluiu.
Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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