Bangladesh realiza-se primeiras eleições após queda de regime em 2024
- 10/02/2026
Na segunda-feira, o país viveu o último dia de campanha eleitoral antes das legislativas de quinta-feira, nas primeiras depois da revolta liderada por estudantes em 2023, que levou à queda do regime autocrático de Sheikh Hasina, deposta no verão de 2024.
O partido da ex-primeira-ministra que se encontra exilada na Índia, o Liga Awami, foi ilegalizado e não vai participar no sufrágio, que tem como favoritos dois partidos: o Jamaat-e-Islami, de base islâmica, e o Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP).
Paralelamente à eleição dos 350 deputados para o parlamento, os eleitores vão também votar um referendo constitucional vinculativo que, caso seja aprovado, o novo parlamento será obrigado a reescrever a Constituição para eliminar alguns dos poderes do primeiro-ministro, mecanismo que permitiu a Hasina tornar-se autocrata.
O país do sul da Ásia de maioria muçulmana é atualmente liderado pelo Governo provisório encabeçado pelo Prémio Nobel da Paz Muhammad Yunus, que se aproximou da China e do Paquistão.
O líder do Jamaat-e-Islami, Shafiqur Rahman, lidera uma coligação de 11 partidos, e é criticado pelos adversários políticos pelas visões restritivas em relação aos direitos das mulheres, embora o partido rejeite essas acusações.
Grupos seculares islâmicos e as minorias religiosas do país temem também a eleição do partido por receio da limitação de direitos civis e do bloqueio de eventuais reformas.
Com 67 anos, Shafiqur Rahman esteve preso durante o regime autocrático de Sheikh Hasina (2009-2024) e espera aproveitar o regresso em força do partido à cena política do Bangladesh.
Já o líder do BNP, Tarique Rahman, conta continuar o legado da mãe, antiga primeira-ministra e líder do partido Khaleda Zia, que morreu no mês passado.
Rahman, de 60 anos, deixou o exílio em Londres, onde vivia há 17 anos, na sequência da morte da mãe para assumir a liderança da dinastia política familiar e do BNP.
O BNP, que lidera uma coligação de 10 partidos, surge como uma força política que aparenta mais liberal e inclusiva relativamente às minorias religiosas do país face aos adversários do Jamaat-e-Islami.
Ambos os partidos iam concorrer coligados às eleições, mas romperam a aliança, iniciada em oposição ao Governo autocrata de Hasina, e concorrem agora separados
As sondagens colocam o BNP ligeiramente à frente do Jamaat-e-Islami nas intenções de voto.
Existe ainda um terceiro partido que reúne alguns dos líderes estudantis influentes na revolta de 2023, o Partido Nacional Cidadão, e do qual se espera também um resultado significativo nas eleições desta semana.
Hasina, de 78 anos, liderava o país desde 2009 e fugiu a 05 de agosto de 2024, após semanas de protestos violentos que, segundo a ONU, causaram mais de 1.400 mortos.
Exilada na Índia, Hasina foi condenada à morte à revelia, em novembro, por um tribunal do Bangladesh por alegadamente ter ordenado à polícia que abrisse fogo sobre manifestantes, acusações que sempre negou.
No final do mês passado, Hasina afirmou que as eleições de 12 de fevereiro não serão livres nem justas e descreveu o país como "exausto e ensanguentado" e "à beira do colapso".
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