"Auto dos Anfitriões" a partir de hoje em Serralves
- 22/01/2026
Uma linha que descreve um cone de luz, fumos a pairar no ar e uma sala escura são os ingredientes escolhidos pelo artista inglês Anthony McCall para tornar a obra inédita em Serralves como um convite ao visitante para penetrar na projeção e tentar ser o realizador de um filme antigo onde ainda se podia fumar.
Na visita à imprensa, Ricardo Nicolau, adjunto do diretor do museu e comissário da exposição, destacou esta obra de Anthony MacCall, que é uma das "pessoas mais conhecidas ligadas ao cinema experimental dos anos 70", conta Ricardo Nicolau.
A obra está numa sala escura e lá desvenda-se um "cone de luz" que convida à interatividade dos visitantes para que entrem e sintam, naquela luz projetada, como se estivessem numa sala de cinema a participar na rodagem de um filme.
"Funciona simultaneamente como uma espécie de escultura muito física, porque quase temos medo de atravessar o cone de luz. É forte a presença imaterial do cone na sala", reflete Ricardo Nicolau, referindo que é uma das obras que vão ser apresentadas pela primeira vez em Serralves.
"A Casa Morcego", da artista Ângela Ferreira, é outra das peças da exibição que vai ser revelada pela primeira vez em Serralves e que a própria artista só viu instalada duas vezes antes de ser adquirida, conta Ricardo Nicolau.
A obra é feita a partir de um edifício de um arquiteto sul-africano. Trata-se de uma "casa na Cidade do Cabo, nos anos 60" que, como o nome indica - "Casa Morcego" -, aparece invertida e suspensa a partir do teto, com o telhado rente ao solo.
O fio condutor desta exposição é a "visibilidade versus a invisibilidade".
"Enquanto curador teve o trabalho facilitado pelo facto de haver já um fio condutor na coleção (...), há muitas obras que têm a ver com a questão da visibilidade e invisibilidade ou a relação entre as duas, a relação entre aparição e desaparição e portanto, esse é o fio condutor da exposição".
A mostra exibe pela primeira vez em Serralves obras de 20 dos 70 artistas nacionais e internacionais representados na Coleção da Fundação Leal Rios, que em 2021 foi parcialmente depositada no Museu de Serralves.
A Coleção da Fundação Leal Rios foi constituída pelos irmãos Manuel e Miguel Leal Rios desde 2003.
A exposição "Autos dos Anfitriões" vai estar patente em Serralves a partir de hoje e fica até 28 de junho.
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