Autarcas do Médio Tejo alertam para milhares sem luz 14 dias após Kristin
- 11/02/2026
"Estamos a poucas horas de completar 15 dias desde esta tempestade que arrasou os concelhos do Médio Tejo. Ainda enfrentamos muitas fragilidades, sobretudo na reposição da rede elétrica, com milhares de habitações e centenas de empresas sem energia. É urgente uma ação mais robusta capaz de resolver esta situação nos próximos dias", afirmou Manuel Jorge Valamatos, presidente da CIM Médio Tejo e da Câmara de Abrantes.
Valamatos, ladeado pelos autarcas dos três municípios do Médio Tejo mais afetados pela tempestade --- Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar ---, destacou que a região vive uma realidade igualmente crítica à região de Leiria, ainda hoje, 14 dias depois, com inúmeros problemas por resolver e pouca ajuda visível no terreno.
"Mesmo respeitando que Leiria tenha sido o epicentro deste fenómeno, entendemos que há outras regiões e municípios que continuam com um grau de fragilidade muito elevado, nomeadamente estes três municípios no Médio Tejo, que sentem na pele, todos os dias, a falta de reposição da energia e das telecomunicações, um elemento devastador e central", declarou.
"É tempo de dizer que alguém tem que tomar atenção e ouvir o que estamos a dizer, porque 15 dias é muito tempo para continuarmos com este problema do restabelecimento da rede elétrica na nossa região", apelou.
No concelho de Ourém, o presidente da Câmara, Luís Albuquerque, detalhou que ainda cerca de 3.600 habitações, equivalentes a mais de 7 mil pessoas, permanecem sem eletricidade.
"Temos PTs que não estão operacionais, problemas na baixa tensão e a rede fixa funciona apenas a 48%, enquanto a móvel está em 81%. É inadmissível que 14 dias depois, cidadãos e empresas continuem sem luz", afirmou.
Albuquerque explicou que o concelho registou 10 mil habitações com danos em coberturas ou anexos, e que o Parque Empresarial de Ourém contabiliza 79 empresas afetadas, com danos parciais ou totais, tendo criticado a falta de equipas no terreno.
"Reclamamos mais equipas no terreno e maior coordenação por parte das entidades responsáveis. É a economia e a vida das pessoas que está em jogo", frisou.
O presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, Bruno Gomes, reforçou a gravidade da situação: cerca de 2.500 habitantes - cerca de 35% da população - permanecem sem energia, e a rede de comunicações está praticamente inoperacional no concelho.
"Passados 14 dias, exigimos uma capacidade organizativa maior, com meios técnicos e equipas suficientes para restabelecer energia e telecomunicações. Muitas micro e pequenas empresas continuam sem apoio e correm risco de encerrar. É urgente clarificação sobre os meios no terreno e um planeamento robusto para restabelecer a normalidade", afirmou.
Em Tomar, a vereadora da Câmara local, Sandra Cardoso, indicou que ainda cerca de mil pessoas permanecem sem eletricidade tendo elencado as prioridades ao momento.
"As quatro prioridades são restabelecer infraestruturas, apoiar a reconstrução de habitações, atender às juntas de freguesia sobre urgências e garantir assistência social. Apesar de algum progresso, dependemos de apoios externos do Governo, que ainda não chegaram na escala necessária", disse.
O cenário social em Ourém aponta para 37 pessoas que estão realojadas e cerca de 200 tiveram que recorrer a familiares ou estruturas temporárias. Em Ferreira do Zêzere, há 29 deslocados, incluindo 19 desalojados. Os municípios destacam a necessidade de apoio psicológico e reclamam a urgência de luz e telecomunicações para cidadãos e empresas afetadas.
Também hoje, na conferência realizada na sede da CIM Médio Tejo, estiveram representantes das associações empresariais Nersant e AIP, que defenderam apoios a fundo perdido, linhas de crédito aceleradas e moratórias fiscais, reclamando a mesma atenção para as empresas situadas nos municípios do Médio Tejo afetados pela tempestade, num distrito contíguo ao de Leiria.
Desde 28 de janeiro, quinze pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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