Austin, 13 anos, nadou 4h para salvar família: "Fiz o que tinha de fazer"
- 04/02/2026
Austin Appelbee tem apenas 13 anos e tem sido descrito como um "herói" após nadar durante quatro horas para salvar a família, no oeste da Austrália. No entanto, o adolescente recusa o título e afirma que fez "o que tinha de fazer".
O incidente ocorreu durante a tarde da passada sexta-feira, quando a família estava de férias em Quindalup e o vento arrastou as suas pranchas de paddle e caiaques para o mar a partir da Baía de Geographe.
A mãe, Joanne, explicou que a situação agravou-se rapidamente quando estava na água com os três filhos: Austin, de 13 anos, Beau, de 12, e Grace, de 8. Segundo adiantou à BBC, tudo começou com uma "brincadeira" com duas pranchas de stand-up paddle e um caiaque em águas poucos profundas, quando as crianças "foram um pouco longe demais".
"O vento aumentou e foi a partir daí", disse a mãe. "Perdemos os remos e fomos levados ainda mais para longe... Tudo correu mal muito, muito rapidamente".
Foi então que Joanne decidiu pedir ao filho mais velho para voltar até à praia "para tentar obter ajuda", sem saber que estavam "assim tão longe da costa".
"Eu sabia que ele era o mais forte e que era capaz", disse à ABC. "Eu nunca teria ido porque não deixaria as crianças no mar, então tive de enviar alguém".
Austin levou o caiaque, mas ninguém percebeu que estava muito danificado e já estava a encher-se de água. "Começou a virar e, então, perdi um remo e soube que estava em apuros. Comecei a remar com o braço", recordou o adolescente.
Após tentar, sem sucesso, continuar a usar o caiaque, Austin foi obrigado a nadar os últimos quatro quilómetros, deixando para trás o seu colete salva-vidas, que o estava a atrapalhar.
Enquanto Austin nadava em direção à costa, Joanne e os filhos mais novos eram levados pela corrente para cada vez mais longe. Ainda assim, o adolescente não desistiu e acabou por nadar durante quatro horas sem saber se a mãe e os irmãos estavam bem.
Horas e 14 quilómetros depois, a família foi localizada por uma equipa de resgate, acionada pelo adolescente.
"Eu pensei que o Austin não tinha sobrevivido", confessou a mãe. "Foi um final absolutamente perfeito ter todos bem, felizes - e doridos, mas sem ferimentos".
A mulher confessou, ainda, que chegou a questionar a sua decisão de mandar o filho de volta à praia. "Eu tinha assumido que Austin tinha chegado muito mais rápido do que realmente chegou", disse. "À medida que o dia avançava, nenhum barco ou qualquer outra coisa vinha para nos salvar".
"Se ele não conseguiu, o que eu fiz, tomei a decisão errada e ninguém virá salvar os meus outros dois filhos?", questionou.
"Como é que estou em terra firme agora? Isto é um sonho?"
Durante o trajeto até à costa, Austin confessou estar "muito assustado", mas agarrou-se às orações, canções cristãs e "pensamentos felizes".
"Eu pensava na minha mãe, no Beau e na Grace. Também pensava nos meus amigos e na minha namorada. Tenho um grupo de amigos muito bom", disse à BBC.
"Quando cheguei ao chão, pensei: como é que estou em terra firme agora. Isto é um sonho?", recordou.
Apesar da incredulidade, Austin teve de se manter firme à sua missão de salvar a família. Eram cerca de 18h00, hora local, quando o adolescente finalmente encontrou a mala da mãe e ligou aos serviços da emergência
Austin — que desmaiou após fazer a chamada — foi levado para o hospital, onde ligou para o pai a chorar, sem saber se a mãe e os irmãos estavam vivos. Minutos depois, recebeu uma chamada a dizer que tinham sido encontrados e que estavam bem.
"Foi um momento que nunca esquecerei", reconheceu.
Austin Appelbee has been labelled “superhuman” after swimming for FOUR hours to rescue his mum and sibling off Australia’s west coast.
— Channel 5 News (@5_News) February 3, 2026
The 13-year-old swam back to shore to get help after they had drifted out to sea on paddleboards. pic.twitter.com/ABUaVLPzZc
"Não acho que tenha sido um herói, fiz o que tinha de fazer"
Menos de cinco dias depois, Austin voltou à escola e tem sido apelidado de herói. No entanto não se vê assim. "Não acho que tenha sido um herói, fiz o que tinha de fazer", atirou.
Os elogios do adolescente vão, contudo, para a "adorável equipa da ambulância" e para a "resposta realmente rápida" dos serviços de emergência.














