"Atropelam direito". Durante discurso de Trump, Guterres deixa crítica
- 21/01/2026
Na plataforma X, António Guterres reforçou o papel da Carta fundadora da ONU como o "fundamento das relações internacionais, a base da paz, do desenvolvimento sustentável e dos direitos humanos", a qual "todos os países devem aderir, integral e fielmente".
"Quando os líderes atropelam o direito internacional, escolhendo que regras seguir, minam a ordem global e criam um precedente perigoso", alertou o líder das Nações Unidas, sem identificar nenhum líder em particular.
E continuou: "Quando um punhado de indivíduos pode distorcer as narrativas globais, influenciar eleições ou ditar os termos do debate público, estamos perante a desigualdade e a corrupção das instituições e dos nossos valores partilhados".
"A Carta é um pacto que nos une a todos", insistiu o antigo primeiro-ministro português, que no final do ano deixará o cargo de secretário-geral das Nações Unidas.
A publicação de Guterres nas redes sociais aconteceu no momento em que Trump discursava no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, e onde aproveitou para voltar a criticar a Europa e apresentar a comunidade internacional como dependente dos Estados Unidos para a paz e prosperidade.
"Sem nós, a maioria dos países nem funciona", afirmou Trump, num longo discurso em que se queixou do tratamento recebido pelos aliados.
No discurso, o chefe de Estado também afirmou que os Estados Unidos "não usarão a força" para tomar a Gronelândia, num aparente recuo da sua posição acerca de uma eventual ação militar para tomar o território dinamarquês.
Contudo, reiterou que o controlo norte-americano dessa ilha do ártico é necessário para a segurança nacional e internacional.
António Guterres está ausente do Fórum Económico Mundial devido a uma forte constipação, segundo um porta-voz da ONU.
"Infelizmente, o secretário-geral teve de cancelar a sua participação na reunião anual do Fórum Económico Mundial em Davos", que estava marcada para hoje, "porque está com uma forte constipação", disse Rolando Gomez aos jornalistas em Genebra.
A ONU já tinha sublinhado na segunda-feira que Guterres não teria um papel específico na crise entre os Estados Unidos e a Europa devido às tentativas da administração Trump de adquirir a Gronelândia.
A questão da Gronelândia e as tensões que está a levantar entre Estados Unidos e Europa é uma das principais discussões esperadas para Davos, sobretudo depois de o Presidente norte-americano ter anunciado que iria impor, a partir de 01 de fevereiro, tarifas aos países que participaram em exercícios militares na Gronelândia.
Neste contexto, a União Europeia afirmou que não descarta nenhuma opção, incluindo responder com uma série de tarifas ou invocar o mecanismo anticoerção, que prevê sanções comerciais contra países terceiros que exercem pressão económica para forçar decisões internas dentro do bloco.
Donald Trump está presente no Fórum de Davos, que junta anualmente as elites mundiais da economia e da política e que vai decorrer até sexta-feira naquela estância alpina da Suíça.
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