Associação de Leiria pede liquidez para empresas retomarem laboração
- 31/01/2026
"Precisamos primeiro de ter energia e depois dinheiro para poder operar, para recuperar as nossas empresas. (...) O que é preciso, muito rapidamente, é liquidez", afirmou à agência Lusa Luís Febra, quando questionado sobre o que gostaria que o Governo fizesse para as empresas.
Insistindo que depois do restabelecimento da energia elétrica é "preciso dinheiro para ajudar as empresas a reerguer os seus negócios", Luís Febra alertou que, "caso contrário, haverá muitas empresas que não têm condições de voltar a operar".
E, se tal não suceder, podem estar em risco centenas de postos de trabalho, admitiu o empresário.
Considerando que "a dimensão desta catástrofe merece apoio europeu", o presidente da NERLEI/CCI adiantou que o impacto é transversal a vários setores da atividade económica, como as indústrias vidreira e dos moldes.
"Empresas absolutamente destruídas, edifícios completamente no chão, equipamentos à chuva" foi o que o presidente da associação destacou dos estragos, reconhecendo não saber determinar quanto tempo será necessário "até que a economia esteja a funcionar".
Sobre a reunião, na sexta-feira, com o ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, e vários secretários de Estado, na sede da associação, em Leiria, referiu que "não trouxeram nada em concreto", mas que o ministro "assumiu o compromisso de, rapidamente, trazer notícias relativamente a apoio financeiro".
A Associação Empresarial da Região de Leiria/Câmara de Comércio e Indústria, fundada em 1985, tem cerca de mil associados.
Entretanto, a NERLEI/CCI divulgou que, no âmbito da declaração da situação de calamidade, e em articulação com a Associação de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo da Região de Leiria, as autarquias e a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria estão a recolher informação relativa aos danos causados pela depressão Kristin.
Nesse sentido, pede às empresas que tenham sido afetadas, que reportem os prejuízos através de um formulário disponível nas suas redes sociais.
"O apuramento e validação dos prejuízos será da responsabilidade da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, pelo que a recolha de informação é de caráter indicativo, não substituindo os procedimentos a realizar pelas vias oficiais competentes", explica.
A partir de segunda-feira, dia 02 de fevereiro, a NERLEI CCI disponibiliza ainda na sua sede alguns espaços para empresas cujos locais de trabalho ficaram destruídos e que necessitem de utilizar espaço, rede e eletricidade, nos próximos dias.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No concelho da Batalha, distrito de Leiria, um outro homem de 73 anos morreu este sábado ao cair de um telhado quando estava a reparar as telhas.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
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