Articulação foi "essencial para evitar tragédia maior", nota ministra
- 18/02/2026
A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, elogiou esta quarta-feira a "boa articulação" que houve entre autarquias, proteção civil e com o próprio Governo durante a gestão do mau tempo no país.
Em declarações aos jornalistas, na Amadora, onde fazia um balanço de como foram geridas as cheias no país, Maria da Graça Carvalho afirmou que esta articulação foi "essencial para podermos evitar uma tragédia maior".
A ministra destacou dois momentos que disse que nunca irá esquecer. O primeiro foi a "decisão importantíssima de retirar as pessoas da área de risco" do rio Mondego, que permitiu que "tudo decorresse de forma muito mais tranquila".
O segundo momento foi quando rompeu o dique. "Estávamos todos na proteção civil em Coimbra", contou a governante, afirmando que ela e os restantes responsáveis viram "as imagens do escoamento quando o rio rompeu" em direto.
"Imediatamente telefonámos ao Sr. Primeiro-ministro e ao ministro das Infraestruturas", recordou. A decisão seguinte, disse, foi "unânime": cortar a A1.
"Foi este estarmos todos juntos que fez com que essa decisão [fosse tomada]. Foi uma decisão que salvou muitas vidas. Podia ter sido um desastre complicado", considerou. "Foi crucial esta boa relação entre os atores locais, as autarquias, os utilizadores… Tudo isto é essencial", continuou.
Maria da Graça Carvalho adiantou ainda que o ministério que tutela "está já a trabalhar no pós-crise": "Há muito a fazer".
O ministério já deu o aval para que a Direção Geral de Energia e Geologia (DGEC) desse início a um estudo sobre como tornar a rede elétrica mais resiliente. Para além disso, a Associação Portuguesa do Ambiente (APA) também já tem autorização para abrir concurso até ao final do mês de março para a construção da barragem de Girabolhos, "que tinha ajudado de certeza a controlar" as cheias que se fizeram sentir".
"Era mais uma ferramenta para ajudar a controlar o caudal do Mondego", notou a ministra.
A governante adiantou ainda que ainda esta quarta-feira vai ser publicado um despacho "que é uma lição daquilo que vimos no Mondego".
O Ministério do Ambiente solicitou que a "APA se junte com os maiores especialistas do momento para olhar para o sistema de infraestruturas do Mondego e ver se ele está, na verdade para as condições de hoje".
Maria da Graça Carvalho notou que o modelo de diques deste rio foi desenhado nos anos 70 e que, provavelmente, não estará adaptada às alterações climáticas: "Temos fenómenos climáticos muito diferentes dos anos 70".
No mesmo despacho vai ser ainda detalhado um "modelo de vigilância e de prevenção de cheias" e um "modelo de governança da bacia do Mondego".
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