Após saída, ex-chefe de gabinete de Zelensky críptico: "Vou para frente"
- 29/11/2025
Após apresentar a sua demissão, o chefe de gabinete do presidente ucraniano revelou que vai para a frente da guerra com a Rússia.
A informação foi adiantada pelo próprio ao New York Post numa série de mensagens de texto crípticas.
"Eu vou para a frente [de guerra] e estou pronto para enfrentar qualquer represália", escreveu Andriy Yermak ao meio norte-americano. "Eu servi a Ucrânia e estava em Kyiv a 24 de fevereiro de 2022", acrescentou, referindo-se ao dia em que a Rússia iniciou a ofensiva.
Ao longo a troca de mensagens, Yermak não especificou se iria alistar-se nas Forças Armadas da Ucrânia, como iria até à frente de combate ou sequer quando é que estava a planear ir para lá. "Talvez nos vejamos outra vez. Glória à Ucrânia", respondeu apenas.
A certa altura, simplesmente pediu desculpa se deixasse de conseguir falar por telemóvel.
Yermak está "revoltado" com ofensas e falta de apoio
Yermak demitiu-se na sexta-feira, 28 de novembro, após ter sido alvo de buscas no âmbito de um caso de corrupção. Esta será a maior investigação neste âmbito durante a presidência de Volodymyr Zelensky.
A notícia foi avançada por Zelensky e em causa está um esquema de corrupção envolvendo a empresa estatal Energoatom, responsável pela energia nuclear na Ucrânia.
"Eu fui profanado e a minha dignidade não foi protegida, apesar de estar em Kyiv desde 24 de fevereiro de 2022", acusou o ex-chefe de gabinete. "Estou revoltado com as ofensas contra mim e ainda mais revoltado com a falta de apoio daqueles que conhecem a verdade", confessou Yermak.
E frisou: "Sou uma pessoa honesta e decente. Portanto, não quero criar problemas para Zelensky; vou para a frente de batalha".
Zelensky elogiou e agradeceu a Yermak
A demissão de Yermak foi avançada pelo Volodymyr Zelensky no seu habitual discurso diário à nação: "Haverá uma reformulação do Gabinete da Presidência da Ucrânia. O chefe de gabinete, Andriy Yermak, apresentou a sua carta de demissão".
Zelensky fez questão de agradecer a Yermak por ter "apresentado sempre a posição ucraniana de forma precisa e correta nas negociações".
"Sempre foi uma posição patriótica. Mas quero evitar rumores e especulações", afirmou, acrescentando que irá reunir-se com "candidatos aptos" para o cargo já amanhã.
Andriy Yermak, antigo produtor de cinema e advogado, é considerado como uma figura muito influente na Ucrânia. A suposta influência de Yermak sobre o chefe de Estado tem levantado questões e dúvidas junto da equipa presidencial ucraniana.
Dois ministros demitidos por suspeitas de corrupção
Na semana passada, o parlamento da Ucrânia aprovou a demissão de dois ministros envolvidos no escândalo de corrupção relacionado com desvios de fundos no setor da energia.
Os ministros visados são German Galushchenko, atual ministro da Defesa, que foi ministro da Energia entre 2021 e 2025, e Svitlana Hrynchuk, atual ministra da Energia.
Galuchtchenko é acusado de ter recebido "vantagens pessoais". Já Hrynchuk não é visada diretamente, mas foi considerada uma "pessoa da confiança" do ex-ministro da Energia. No entanto, ambos negam estar envolvidos no caso.
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