Apoio de Eanes a Seguro? "Sabia que o sistema se ia juntar contra mim"
- 30/01/2026
André Ventura, candidato à Presidência da República, reagiu esta sexta-feira ao anúncio de apoio de Ramalho Eanes a António José Seguro na segunda volta das eleições, afirmando que "sabia que o sistema" se iria unir contra a sua candidatura.
Questionado sobre o facto de o antigo Presidente da República Ramalho Eanes - que tem sido uma referência para si - ter declarado o seu apoio a António José Seguro, o líder do Chega atirou: "Eu já sabia que, liderando este espaço à Direita e passando à segunda volta, o sistema se ia juntar contra mim."
Manifestou-se, contudo, "espantado" com as "pessoas que andavam a dizer há uns meses que o socialismo era a pior coisa que nos tinha acontecido e, de repente, foram para os braços de António José Seguro".
"O que vejo agora é que há uma certa inveja, para além do egocentrismo, de muitos do espaço da Direita que estavam sempre a dizer que é preciso evitar que um socialista chegue ao Palácio de Belém e agora não são capazes de dizer o óbvio só por mesquinhez. Metem os seus interesses à frente do país", atirou.
Ainda assim, disse aceitar "humildemente" a escolha dos portugueses e afirmou que está na política "para tentar mudar o país e dar o abanão que o país precisa".
"Se os portugueses me derem essa confiança, eu procurarei dar esse abanão. Se os portugueses votarem em mim dia 8, sabem que o meu estilo, a minha forma de ser, os meus objetivos não se coadunam com um Presidente que não sirva para nada. Eu quero ser mesmo interventivo e quero mesmo dar um abanão no país. O meu adversário é o contrário de mim", atirou.
"Acho que um político deve estar ao lado das pessoas quando elas precisam"
André Ventura defendeu, também, as suas visitas aos lugares mais afetados pela passagem da depressão Kristin, sublinhando que "um político deve estar ao lado das pessoas".
"Acho que um político deve estar ao lado das pessoas quando elas precisam. Defendi isto nos incêndios, nas cheias… Tenho feito, na minha vida política, o exercício de estar em proximidade e acho que a proximidade é não nos refugiarmos ou não nos escondermos quando as coisas estão a acontecer, mesmo com risco político", disse.
Defendeu, ainda, que decidiu organizar uma recolha de bens para as populações mais afetadas pelo mau tempo "para apelar à parte do país que não foi afetada e aos cidadãos que estão focados noutras coisas que não podemos esquecer os nossos outros compatriotas e temos de ajudar".
"Neste momento, em que estamos numa segunda volta de umas eleições presidenciais, provavelmente não há políticos no país com mais visibilidade do que eu e o meu adversário nesta eleição", explicou, referindo-se a António José Seguro. "Tem a ver com responsabilidade."
"Não podemos ser um país sem janelas"
Sobre a imigração, Ventura defendeu que "não podemos ser um país sem janelas" e, por isso, "quem quiser entrar neste país ou no resto da Europa tem de vir através de um processo e tem de cumprir regras".
Rejeitou ainda que a sua política anti-imigração vá contra os seus ideais religiosos e atirou: "Ser cristão não é ser banana."
"Eu quero, sobretudo, manter o nosso país seguro. É essa a minha função como político. Quem deixa entrar toda a gente sem regras, quem não quer saber se as pessoas que entram cometem crimes ou não, quem chega ao ponto de dizer que quem vem para Portugal e comete crimes não deve ser expulso… Isso não é ser cristão", defendeu.
António José Seguro e André Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, em 8 de fevereiro, depois de, em 18 de janeiro, o candidato apoiado pelo PS ter conquistado 31% dos votos e Ventura, líder do Chega, ter obtido 23%.
Em terceiro lugar ficou Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal, com 16,%, à frente de Gouveia e Melo, com 12%, e de Marques Mendes, apoiado pelo PSD e CDS, com 11%.
À Esquerda, Catarina Martins (BE) teve 2%, António Filipe (PCP) 1,6% e Jorge Pinto (Livre) 0,6%, ficando abaixo do cantor Manuel João Vieira, que conseguiu 1%. O sindicalista André Pestana recolheu 0,2% e Humberto Correia 0,08%.














