Anúncio de apoios é "falhanço em toda a linha". "Gozar com as pessoas"
- 01/02/2026
Antes de participar numa ação de campanha em Vila Verde, no distrito de Braga, André Ventura considerou que o programa de apoios anunciado hoje pelo Governo é "um falhanço em toda a linha da parte do Governo".
O candidato presidencial considerou que o Governo está "a gozar com as pessoas", quer no trabalho de prevenção, quer na demora para a mobilização de militares, quer nos apoios hoje anunciados.
"Quando se estabelece para ajudar as pessoas limites de 500 euros ou 530 euros [537 euros], isto só pode ser gozar com a população", disse.
André Ventura fazia referência aos apoios estabelecidos em Conselho de Ministros para famílias em situação de carência ou perda de rendimentos, que poderão aceder a apoios da Segurança Social de até 537 euros por pessoa ou 1.075 euros por agregado familiar.
Em declarações aos jornalistas, André Ventura focou-se sobretudo nesses valores, dando a ideia de que esses seriam os apoios a que as pessoas que "perderam tudo" teriam direito, considerando que a reconstrução "não pode ser [com] um apoio de 500 euros nem um apoio de mil euros".
No entanto, de acordo com o Conselho de Ministros, os apoios para a reconstrução da habitação própria e permanente vão até dez mil euros.
Face aos apoios anunciados, o candidato presidencial considerou que "mais valia ao Governo ter ficado em silêncio hoje", acusando o executivo liderado por Luís Montenegro de dar uma resposta muito aquém das necessidades.
"Quando tiver a oportunidade [de falar com o primeiro-ministro] vou dizer que acho que é um dos dias mais negros e de maior falhanço da história deste Governo", vincou.
Ainda sobre o anúncio de 2,5 mil milhões de euros de apoios para as zonas afetadas, o candidato apoiado pelo Chega considerou que "a maior parte do bolo" de ajuda é para "endividar as pessoas".
André Ventura criticou também a necessidade de vistorias por parte das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) das casas afetadas, sem esclarecer como deveria ser feito o controlo da atribuição de verbas.
"As pessoas precisam de apoio agora, precisam de apoio rápido, não é de vistoria", disse, acrescentando: "Esqueça plano, esqueça comissões, esqueça burocracias".
O também presidente do Chega defendeu que deveria ser o Governo a assegurar o envio de telhas e coberturas para o território afetado.
"Metam todas as estruturas que temos - militares, municipais, sociais -, todos os equipamentos que temos, muitos deles parados em muitas estruturas do Governo, metam-nos a transportar telhas para as pessoas que precisam", disse.
O candidato pediu ainda que se enviem "mecânicos, a nível central", para as zonas onde é preciso "para ajudar a reparar casas".
O Presidente da República, vincou, "tem que servir para dizer ao Governo que aquilo que aconteceu hoje é verdadeiramente uma vergonha".
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.
O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo, após uma reunião do Conselho de Ministros, até dia 08 de fevereiro.
[Notícia atualizada às 18h02]
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