André Ventura: "Não vou para a segunda volta para agradar a todos"
- 16/01/2026
"Não vou para a segunda volta para agradar a todos. Não vou procurar pôr toda a gente contente, não vou para dizer que o preto é branco e o branco é preto. Vou dizer a verdade, doa a quem doer. Vou dizer ao país que é preciso ordem, que têm de deixar de viver de subsídios, que impostos têm de baixar e que temos de ser um país cristão, de valores cristãos, e de valores europeus", defendeu o candidato a Belém, no comício de encerramento de campanha no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa.
Depois de fazer referências à "ideologia de género" (termo depreciativo usado por movimentos ultraconservadores), rejeitar mesquitas em Portugal, criticar o processo em que é acusado o antigo primeiro-ministro José Sócrates e prometer acabar com o Estado Social como um "bar aberto de distribuição para todos", André Ventura avisou: "Eu disse ao que vinha".
"Nós dissemos ao país, Europa e mundo ao que vínhamos, com clareza, sem medo", disse, garantindo que "vai continuar a ser assim".
"Não esperem nem nunca me peçam para ser o candidato das generalidades redondas que agradam a toda a gente", salientou, vincando que não quer "estar do lado dos que ganham as eleições, mas dos que transformam o país".
Ventura recordou que começou a campanha a afirmar que o país "precisa de três Salazares", numa referência ao ditador português.
"Hoje tenho a certeza que tinha razão. O país tem que entrar na ordem, o país precisa mesmo que o metam na ordem. Para garantir que isso vai acontecer nós não precisamos tanto de três Salazares, um André Ventura vai dar para pôr o país na ordem", asseverou.
Apesar de vincar várias vezes que queria falar "aos portugueses e dos problemas deles", Ventura aproveitou o seu último discurso para criticar o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acusando-o de "deixar de ter amor" à bandeira nacional -- apontando para aquele símbolo.
"Um Presidente que perde o amor a Portugal não merece continuar a ser Presidente de Portugal", vincou.
Para Ventura, no domingo, haverá um "levantamento de um país que não aceita ser invadido ou humilhado", fazendo referências à teoria da conspiração de extrema-direita da grande substituição (que as populações brancas europeias serão substituídas por cidadãos muçulmanos).
André Ventura defendeu que o país "tem que perder o medo" de reconhecer que "o país errou no pós-25 de Abril", defraudando expectativas de alguns cidadãos, e negou querer uma rutura com o regime democrático, como muitas vezes lhe é apontado.
"Durante 50 anos era impensável dizer que temos que ajustar contas com a História. Era fascismo, racismo, dava prisão. Mas o tempo mudou, o país mudou. Eu não vos quero mentir e não vos quero enganar", afirmou.
Ventura rejeitou ser "um sucessor de Marcelo ou de Jorge Sampaio" e "certamente que não de Mário Soares", mas voltou a dizer que há um "ajuste de contas com a História que tem que ser feito".
"Vai doer, vai custar, vai talvez ser duro num primeiro momento, mas com o tempo a passará e vamos perceber que tínhamos razão. Eu procuro que a História seja a iluminação e farol das minhas escolhas. Nunca houve nenhuma mudança de fundo que não custasse, nunca houve nenhuma conquista que não custasse sangue, suor e lágrimas", sublinhou.
Apesar de chegar mais de duas horas atrasado ao comício, André Ventura fez o seu discurso mais longo desta campanha, de quase 50 minutos, perante cerca de 600 apoiantes, que se juntaram no Instituto Superior de Agronomia.
Antes de discursar, o mandatário nacional, tenente-coronel Tinoco de Faria, afirmou que a candidatura de André Ventura combate "51 anos de mentira" e que põe "o regime em causa".
"Vamos derrubar o regime", disse.
[Notícia atualizada às 23h35]
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