Alvaiázere continua a sentir-se isolada quatro dias após a tempestade
- 31/01/2026
Os 160 quilómetros quadrados do município do distrito de Leiria "foram totalmente atingidos" pela tempestade, deixando povoações isoladas e instalando o medo na população, sobretudo nos mais idosos, seis deles alojados e com necessidade específica de oxigénio, contou João Paulo Guerreiro, numa conversa no centro de comando, instalado no quartel dos bombeiros.
Questionado sobre o volume dos prejuízos, o autarca respondeu não terem ainda quantificado nem o número de casas nem de fábricas atingidas pela tempestade, acrescentando que "nas primeiras 24 horas houve povoações que ficaram isoladas devido à queda de árvores nos acessos".
"Na primeira noite tivemos dois feridos, um ligeiro e outro mais grave, além de um bombeiro, que teve um pequeno acidente num serviço de socorro, mas foi ao hospital e já teve alta", revelou João Paulo Guerreiro, confirmando que a eletricidade foi "retomada a partir da tarde de sexta-feira na sede do concelho, através da colocação de cerca de 20 geradores nos serviços essenciais e em instituições particulares de solidariedade social".
E com a maioria das estradas principais e secundárias limpas e reabertas "até ao final do dia de hoje", um trabalho, salientou, feito "pelos locais, numa tarefa hercúlea", o autarca aproveitou o tema para pedir cuidado a quem chegar para ajudar.
"Falta ainda um trabalho imenso nos caminhos florestais de acesso a infraestruturas muito afetadas de eletricidade de média e de baixa tensão, e ao qual temos de garantir o acesso", assinalou.
Ainda segundo João Paulo Guerreiro, a Altice comprometeu-se a "ainda hoje restabelecer a comunicação móvel na antena principal, conectando assim grande parte do concelho", acabando, dessa forma, a dependência dos últimos dias da plataforma Starlink para conseguir ter internet na sede do concelho.
Além da gratidão para todo o pessoal no terreno que está a trabalhar, o autarca expressou agradecimento pelo "apoio precioso do exército, e único com que puderam contar até hoje, que evitou na madrugada de sexta-feira o colapso do abastecimento de água, através da cedência de dois geradores".
"Estamos a contar que o país seja solidário, das pessoas das regiões que não foram afetadas e dos setores de atividade, sejam as forças armadas, da saúde, do Ministério da Administração Interna", disse.
O pavilhão municipal de Alvaiázere é, por estes dias, um centro multiusos, onde estão alojadas 31 pessoas, mas onde, também, foi instalado, provisoriamente, o centro de saúde local.
À Lusa, a coordenadora da Unidade de Saúde Familiar (USF) de Alva Várzea, Maria João Magalhães, explicou que na quarta-feira aquela unidade de saúde "sofreu muitos danos ao nível do telhado e do isolamento, ficando sem rede elétrica e comunicação".
Ainda assim, relatou: "nesse mesmo dia ainda conseguimos dar resposta a situações de urgência, à base de lanternas de telemóvel, sendo que toda a comunicação implicou que as assistentes técnicas se deslocassem ao quartel dos bombeiros".
E, se a situação era precária, "uma enorme chuvada no dia seguinte deixou o edifício inundado, sendo então alocados no pavilhão municipal".
Ali, acompanham os seis utentes com oxigenoterapia de longa duração, com uma equipa que integra enfermeiros da USF e da Unidade de Cuidados à Comunidade a fazer turnos de 24 horas, disse.
Sublinhando que dão "apenas resposta a situações urgentes", a coordenadora acrescentou que há ainda médicos escalados.
Os primeiros utentes que receberam foi "uma suspeita de enfarte, reencaminhado para o Hospital de Coimbra, e uma senhora com crise de ansiedade", mas há ainda registo de "outra com um traumatismo craniano porque foi atingida por uma telha, e de crianças com amigdalite e com crise de dispneia", contou.
"Na sexta-feira recebemos um senhor, desorientado, porque há dois dias que não comia, preocupado com a casa, e teve uma crise de hipoglicémia", acrescentou a médica.
Sobre os alojados no pavilhão, a vereadora da Ação Social, Ana Faria, descreveu à Lusa que a maioria são idosos e que "estão muito assustados", explicando que "vai ser muito difícil que alguns deles voltem para casa devido aos danos sofridos, o que obriga o município a encontrar solução para todas elas".
Com capacidade instalada que pode ir até 60 pessoas, o pavilhão tem também um espaço reservado para receber doações, sublinhando Ana Faria a necessidade de "alimentos não perecíveis e de higiene".
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