Alguns líderes mundiais têm "vontade explícita" de fazer guerra
- 17/01/2026
"Há da parte de alguns líderes de superpotências uma vontade explícita de fazer a guerra e, portanto, quando é assim, dificilmente chegamos a um acordo", afirmou, em entrevista à Lusa, Rui Valério, que subscreve "linha por linha" a posição do Papa Leão XIV sobre o tema.
"Quando ele nos fala de uma paz desarmada e de uma paz desarmante, ele quer contrariar exatamente esta cultura do armamento exacerbado", afirmou o arcebispo de Lisboa, antigo bispo das Forças Armadas portuguesas.
Rui Valério afirmou que "guerras geram guerra, ódio gera ódio e armamento gera a vertigem de uma paz armada que está apenas a adiar um conflito iminente de uma guerra iminente".
Embora dizendo compreender a corrida ao armamento por parte dos países, para, "de certa forma, travar o adversário", esse mesmo oponente "só se deixa travar porque tem medo da resposta que pode receber" e não porque deseja a guerra.
A tensão mundial tem subido de tom após a invasão da Ucrânia pela Rússia, as mortes em Gaza ou a recente captura do chefe de Estado da Venezuela pelos EUA, cujo Presidente tem ameaçado derrubar, pela força, governos no Irão e Cuba, bem como invadir a Gronelândia.
"No capítulo da vontade, de facto, eu constato que na origem de todos estes conflitos existe vontade de fazer guerra. Não venham cá com outra conversa", acusou Rui Valério, esperando que as tradições humanistas de muitos desses países venham a despertar a consciência das respetivas sociedades, porque "fazer guerra só provoca mais guerra, só provoca destruição".
Para Rui Valério, alguns dos líderes mundiais - que nunca nomeia -- correspondem a "gente não resolvida, gente que não amadureceu".
"São pessoas que não cresceram, que ficaram numa fase de desenvolvimento muito ali à beira da adolescência" e "têm de resolver qualquer coisa dentro delas", pelo que usam o discurso bélico e a guerra para "afirmar as suas personalidades", acrescentou ainda o patriarca de Lisboa.
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